Projeções sobem em dia de poucos negócios na BM&F

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SÃO PAULO, 13 de agosto de 2008 - As projeções de juros dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DI) acompanharam a valorização do dólar ante o real no decorrer do dia, no entanto, no final dos negócios a moeda norte-americana recuou 0,68%, cotada a R$ 1,614 na venda. Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) as taxas de juros dos DIs reduziram o ritmo de elevação. O DI de janeiro, o mais líquido, apontou taxa anual de 14,75%, ante 14,74% do ajuste anterior. O volume de negócios segue reduzido na BM&F.

O gerente de renda fixa do banco Prosper, Carlos Cintra, explica que a preocupação no mercado nesta quarta-feira está relacionada com o impacto do aumento do dólar na inflação, que teoricamente, é prejudicial, decorrente da desvalorização do nosso câmbio, pois os produtos importados ficam mais caros podendo haver repasse para o consumidor.

A ausência de indicadores econômicos de peso na agenda interna hoje fez com que os agentes financeiros voltassem as atenções para a cena externa. O recuo do Produto Interno Bruto (PIB) do Japão no segundo trimestre foi um dos fatores que influenciaram no mau humor dos principais mercados, pois indica que outros países não estão imunes à desaceleração econômica dos Estados Unidos.

Entre os indicadores, as vendas no varejo nos EUA tiveram uma ligeira queda de 0,1% em julho, marcando o menor resultado desde fevereiro. Os dados vieram abaixo das expectativas do mercado que projetava uma alta de 0,2%. Foi divulgada também a inflação de produtos importados. Havia a expectativa por parte dos analistas que ela desacelerasse de 2,6% para 1,0%. Em tese a queda dos preços das commodities seria captada no atual levantamento. No entanto, o índice veio acima da expectativa e registrou alta de 1,7%, o que aponta para uma alta de 21,6% em 12 meses, a maior alta desde 1983.

Segundo a corretora Gradual, esse dado aponta para dois movimentos importantes. De um lado, colabora para a desaceleração da economia norte-americana, uma vez que a economia dos EUA é visceralmente dependente de importações. Do outro, cresce a pressão no Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) para um aumento na taxa básica por lá.

(Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)