Investidores mais cautelosos com inflação e juros

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SÃO PAULO, 11 de junho de 2008 - O mercado doméstico acompanhou de perto o avanço, acima do esperado, do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente a maio. A expectativa, cada vez mais clara, de aumento das taxas de juros, no âmbito mundial, para tentar conter as pressões inflacionárias, está deixando os investidores mais cautelosos. Neste clima, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou o dia em queda de 1,45%, aos 66.794 pontos, marcando seu quarto recuo consecutivo e o menor patamar desde 29 de abril, véspera do primeiro investment grade brasileiro. O giro financeiro somou R$ 6,34 bilhões.

'O Banco Central Europeu já sinalizou, claramente, que deverá promover uma alta da taxa de juros em função das pressões inflacionárias em sua próxima reunião, marcada para julho. O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) também deverá retornar o ciclo de alta dos juros, muito embora a grande dúvida seja o prazo que a entidade monetária norte-americana o fará', afirma Silvio Campos Neto, economista do Banco Schahin.

A divulgação do Livro Bege não alterou o humor dos investidores. No documento, que concentra a opinião dos doze escritórios regionais do Fed, a entidade monetária afirma que a atividade econômica se mostrou mais fraca nos meses de abril e maio e que os preços de energia e alimentos estão afetando os gastos dos consumidores norte-americanos.

A alta do preço do barril de petróleo, após a divulgação dos estoques semanais da commodity, também contribuiu para que as principais praças acionárias mundiais operassem em território negativo nesta quarta-feira. O governo norte-americano anunciou que os estoques da matéria-prima apresentou recuo de 4,6 milhões de barris na semana passada, volume acima do projetado pelo mercado.

No front doméstico, as ações da Vale foram, mais uma vez, o destaque de baixa. Os papéis continuam repercutindo notícia de que a mineradora fará a emissão de novas ações preferenciais série A e ordinárias, no valor máximo de US$ 15 bilhões. 'A bolsa paulista deverá manter o movimento de realização de lucros no curto prazo mas, ao final deste ano, ainda acredito que o índice esteja próximo a 76 mil pontos', ressalta Neto

Dentre os destaques positivos do Ibovespa, estão Sadia PN, que subiu 5,5%, a R$ 12,85; Perdigão ON, que avançou 3,53%, R$ 48,14; e Eletrobrás ON, que registrou alta de 3,05%, a R$ 30,40. No sentido oposto, Gol PN recuou 5,4%, a R$ 20,15; Cyrela ON registrou queda de 5,06%, a R$ 22,88; e B2W Varejo ON caiu 5,06%, a R$ 61,00.

Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o Ibovespa com vencimento em junho registrou queda de 1,13%, a 67.150 pontos.

(Vanessa Correia - InvestNews)