Bolsas americanas ajudam a pressionar alta do dólar
Em Nova York, os índices acionários perdiam mais de 1%, sob reflexo da disparada dos preços do petróleo, para acima de US$ 123 o barril. Os especialistas vêm que a escalada da commodity pode afetar a confiança do investidor, gerando novo risco para os gastos dos consumidores. Mas pela manhã, o departamento de energia informou que as reservas de petróleo cru avançaram 5,7 milhões na semana passada, alcançando um total de 325,6 milhões.
Os dados do setor imobiliário também pesaram sobre o humor das bolsas. A Associação Nacional de Corretores de Imóveis divulgou que as vendas pendentes de casas nos EUA atingiram em março o menor nível já registrado desde o início da apuração do índice, em 2001. O indicador atingiu 83 pontos em março, um recuo de 1% em relação ao resultado de fevereiro, quando o índice caiu para 83,8 pontos.
Com isso, a economia dos EUA segue em alerta. Hoje, o secretário do Tesouro norte-americano, Henry Paulson, declarou que o pior da crise financeira decorrente dos problemas no setor hipotecas já passou, no entanto, pode haver sobressaltos no caminho.
O operador da Advanced Corretora de câmbio, Celso Siqueira, também atribui esta alta do dólar ao artigo divulgado no Financial Times. No texto, o diário britânico cita que a nota BBB- atribuída ao Brasil pela Standard Poor´s na semana passada não é certificado de desenvolvimento econômico, mas simplesmente a capacidade dos devedores de pagar suas dívidas. "Isso pesou bastante sobre os negócios", resumiu Siqueira.
Em meio ao clima de tensão, dados do Banco Central mostraram que o mês de abril terminou com forte entrada de recursos estrangeiros no país, repetindo o desempenho observado em março, com forte fluxo positivo nas operações comerciais. A entrada líquida foi de US$ 6,723 bilhões, o que revela o ingresso de quase US$ 1,8 bilhão nos últimos dias do mês passado, já que até o dia 24 de abril o fluxo era de US$ 4,934 bilhões. Porém, as instituições financeiras voltaram a ampliar a posição "comprada" em câmbio, movimento que vem sendo verificado desde agosto de 2007. Os bancos mantiveram em estoque US$ 12,196 bilhões no final de abril, ante US$ 9,782 bilhões em março, e US$ 3,245 bilhões de fevereiro.
Cabe lembrar que o Tesouro Nacional anunciou agora a tarde que reabriu bônus soberano com vencimento em 2017. O governo informou que irá emitir US$ 500 milhões nos mercados europeus e norte-americano.
No mercado à vista, mantendo a rotina, próximo do término do pregão , o BC comprou dólares a uma taxa média de R$ 1,6846.
(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)
