Futuro das ações da Petrobras e Vale é distinto

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SÃO PAULO, 20 de março de 2008 - As ações da Petrobras e Vale, ex-Companhia Vale do Rio Doce, estão registrando forte desvalorização no acumulado deste ano. Porém, enquanto as ações ordinárias e preferenciais da Vale recuam pouco mais de 10%, os papéis da Petrobras superam os 20% de desvalorização.

´No atual cenário econômico, embora ambos os papéis estejam sofrendo por uma fuga de investimentos estrangeiros, os fundamentos de cada empresa é diferente´, afirma Celso Boin, chefe da área de análise da Link Corretora.

De acordo com o executivo, o motivo comum que levou ambas as empresas a registrarem forte desvalorização no acumulado deste ano é a fuga de investidores estrangeiros. ´Vale e Petrobras são a primeira opção de investimento por estrangeiros. Eles não olham os fundamentos das empresas. Porém, em um cenário econômico de incertezas, essas papéis serão os primeiro vendidos por estrangeiro´, diz Boin.

Já quando analisada cada empresa em separado, a situação é diferente, segundo Boin. ´A Petrobras está em uma situação boa de mercado, com aumento da produção e os recentes reajustes no preço do minério de ferro´, afirma.

Levando em consideração a cotação de fechamento de ontem (ações ordinárias a R$ 53,16 e preferenciais série A a R$ 44,26), os papéis ordinários acumulam desvalorização de 10,36% no ano, enquanto que as ações preferenciais série A recuam 12,78% em 2008.

Em contrapartida, a Petrobras transmite preocupação aos investidores ao não conseguir aumentar sua produção. Além disso, outro ponto que tem afetado a estatal é o não reajuste no preço dos combustíveis, mesmo com a alta da commodity no mercado internacional´, completa o chefe da área de análise da Link Corretora.

Ainda com relação a Petrobras, Boin afirma que a empresa se beneficiou com novas descobertas. ´Porém, na minha opinião, o mercado superestimou o preço destas descobertas já que serão custosas e demoradas´.

Também considerando a cotação de fechamento de ontem (ações ordinárias a R$ 83,80 e preferenciais a R$ 69,40), os papéis ordinários acumulam desvalorização de 20,19% no ano, enquanto que as ações preferenciais recuam 21,49% em 2008.

Para o futuro, as perspectivas são distintas. ´Quanto o mercado acalmar, em um primeiro momento, a tendência é ambos os papéis voltarem a subir. Porém, passada essa fase, os fundamentos vão prevalecer e a Vale tende a se beneficiar neste cenário´.

(Vanessa Correia - InvestNews)