Suzano intensifica vendas de papel aos EUA

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SÃO PAULO, 11 de março de 2008 - Em meio a uma série de incertezas com relação aos rumos do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, a brasileira Suzano Papel e Celulose decidiu intensificar sua presença na maior economia do mundo. Por intermédio de sua unidade comercial Suzano Pulp and Paper America, a companhia pretende ampliar em mais de 30% suas vendas naquele país, hoje responsável por aproximadamente 17% das vendas externas do grupo.

A confiança em crescer em um mercado caracterizado por dúvidas econômicas está fundamentada na política comercial adotada nos últimos anos e que, em 2007, permitiu à Suzano ampliar suas vendas para os Estados Unidos em 62%, para 67,8 mil toneladas de papel. Esta política, segundo o diretor da Unidade de Negócio Papel da Suzano, André Dorf, é marcada pela ampliação das bases logísticas e pelo aperfeiçoamento no contato com novos e antigos clientes.

Apesar de o Brasil apresentar o custo mais competitivo do mundo na produção de celulose - a matéria-prima usada na fabricação do papel -, o fato de a Suzano ser uma empresa brasileira era visto com desconfiança pelos clientes locais. ´Há a cultura de se ver os grupos estrangeiros como fornecedores que só abastecem o mercado local quando há falta de demanda nos próprios países. Mas a Suzano iniciou a venda direta aos convertedores e já é reconhecida pelo mercado como um player local´, afirma Dorf.

Para isso, além de iniciar a venda direta aos clientes convertedores de papel - antes aos negócios eram feito apenas com os grandes distribuidores norte-americanos e os distribuidores regionais -, a Suzano ampliou de um para três o número de bases logísticas utilizadas nos Estados Unidos. Com isso, a companhia garantiu capacidade para atender seus clientes norte-americanos em um prazo máximo de 48 horas.

Outro fator determinante para o avanço dos papéis cut-size e offset da Suzano no mercado dos Estados Unidos foi o fechamento de capacidade dos produtores locais. Apenas no ano passado aproximadamente 1 milhão de toneladas de papéis não-revestidos deixaram de ser produzidos no país, cujo mercado está estimado em 12 milhões de toneladas de papéis não-revestidos.

Com a redução da capacidade local, fenômeno que também ocorre na Europa, a relação entre oferta e demanda fica mais justa, o que permite aos fabricantes de papel elevar seus preços. De acordo com Dorf, o preço médio dos papéis não-revestidos negociados pela Suzano no exterior já apresentou reajuste de 6% desde o início deste ano. ´E os preços continuam em alta no mundo todo´, destaca o executivo, que não confirma se a fabricante prevê novos reajustes nos próximos meses.

(André Magnabosco - InvestNews)