Cautela marca início da semana

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SÃO PAULO, 25 de fevereiro de 2008 - A cautela e a volatilidade que vem marcando os negócios desde o segundo semestre de 2007 - por conta na crise no crédito imobiliário nos Estados Unidos - deve continuar influenciando o humor dos investidores. Os riscos de que os EUA entrem em uma recessão ainda não foi dissipado pelos agentes financeiros. Em meio às incertezas, as projeções de juros dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DI) voltaram a subir nesta segunda-feira. O DI de janeiro de 2010, o mais líquido, apontava juro anual de 12,43%, ante 12,34% do ajuste anterior.

No front externo, foi informado que as vendas de casas existentes nos Estados Unidos apresentaram recuo de 0,4% em janeiro quando comparado com o mês anterior. O número surpreendeu o mercado que projetava um recuo de 1,8% para o período.

Internamente, as atenções ficaram voltadas para o boletim Focus. O documento mostrou que os analistas elevaram de 4,39% para 4,4% a expectativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ao final do ano. Enquanto a estimativa para o IPCA em 2009 subiu de 4,20% para 4,22%.

O economista chefe da MB Associados, Sergio Vale, chama a atenção para os dados das transações correntes que ficaram negativos em US$ 4,2 bilhões em janeiro e o fluxo cambial voltou a registrar saídas líquidas. "Esse dado gera volatilidade no mercado, principalmente, porque pode diminuir a entrada de capital", disse.

Por outro lado, Vale ressalta que os novos indicadores econômicos que estão sendo divulgados nos últimos dias reforçaram o cenário positivo para a inflação e a tese de que o colegiado do Banco Central deve manter a Selic nos atuais 11,25% ao ano no decorrer de 2008. Pela manhã, foi divulgado o Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) que registrou alta de 0,23% em 22 de fevereiro, abaixo do apurado na semana passada.

Em relação ao crescimento econômico deste ano, as perspectivas também seguem positivas, a despeito do menor crescimento esperado para a economia mundial neste ano. O economista estima um avanço do Produto Interno Bruto (PIB) para 4,7%, impulsionado pela expansão da demanda doméstica.

(Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)