Pressão da crise dos EUA é inevitável no mercado

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SÃO PAULO, 22 de fevereiro de 2008 - O medo de um recessão na economia dos Estados Unidos transformou o mercado de commodities em uma proteção para os investidores. Porém, a migração de fundos não agrícolas para esse mercado está elevando o preço das commodities. 'A pressão sobre o mercado agrícola é inevitável', disse o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Alexandre Mendonça de Barros, durante o seminário O Impacto da Crise dos EUA no mercado de Commodities, realizado nesta sexta-feira, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Mendonça conta que um dos fatores que pode afetar o mercado agrícola é a produção de etanol nos EUA, que desequilibrou a proporção do plantio de alimentos no País, devido ao aumento das áreas destinadas ao milho. 'A área para plantação de milho cresceu 7 milhões de hectares, o que fez a área da soja reduzir em 5 milhões de hectares.' O professor da FGV explica que a diminuição da oferta de soja fez 'disparar' o preço do produto, impulsionando outras altas, como a dos derivados de soja (óleo e farelo) e do trigo.

'E se a safra de soja dos EUA quebrar? O que acontece?', questiona o professor, que diz não saber quais seriam os efeitos. Mas Mendonça afirma que no Brasil essa situação não ocorrerá, pois a produção de etanol ainda é muito pequena. 'Enquanto em 2007 o País produziu 20,9 bilhões de litros, os EUA produziram 40 bilhões de litros.'

(Sérgio Toledo - InvestNews)