Copom deve manter conservadorismo, diz economista

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SÃO PAULO, 22 de janeiro de 2008 - Uma parcela majoritária do mercado aposta que o Comitê de Política Monetária (Copom) pode realizar mais uma manutenção na taxa de juro básico (Selic) na primeira reunião deste ano em que irá analisar a conjuntura econômica interna e externa e definir os rumos da política monetária nacional. A afirmação é do economista-chefe da SulAmérica, Newton Rosa.

Ele destaca que mesmo com a turbulência financeira no mercado norte-americano, a diretoria o Banco Central (BC) mantém o mesmo patamar (11,25% a.a.) há um semestre. "A postura conservadora vai continuar prevalecendo em meio às incertezas provenientes de um ambiente externo adverso e diante de preocupações crescentes com a inflação", acredita Newton Rosa.

O mundo assistiu nas última horas a uma forte queda no mercado acionário e à instabilidade de moedas, frente ao dólar, diante do aumento da preocupação dos analistas sobre uma recessão nos Estados Unidos. Para a maior parte dos economistas, o pacote de medidas para estimular a economia norte-americana anunciado pelo presidente dos EUA, George W. Bush, na sexta-feira, não deve refrescar a tensão situação financeira no hemisfério norte.

Aliado a isso, o BC deve avaliar com cautela o aumento das projeções para inflação de 2008. Segundo o Boletim Focus, o mercado levou novamente a expectativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,29% para 4,37% ao final deste ano. O indicador reflete a inflação oficial brasileira e é utilizado para balizar a política monetária. Outros dois fatores ajudam a aumentar a preocupação com a inflação: o preço do barril do petróleo no mercado internacional, que vem beirando os US$ 100, e as tarifas de energia elétrica que já subiram muito para as empresas e que prometem subir ainda mais este ano, até mesmo para os consumidores residenciais, devido à possibilidade de um racionamento de energia.

O resultado do primeiro encontro do Copom em 2008 será anunciado amanhã (23), após o fechamento do mercado. Na última reunião (em 4 e 5 de dezembro), o comitê manteve a taxa em 11,25% ao ano pela segunda vez consecutiva, por decisão unânime, em linha com a expectativa do mercado.

(Vanessa Stecanella - InvestNews)