UE diz que emergentes podem causar danos a Doha

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REUTERS

LONDRES - Os países em desenvolvimento correm o risco de causar danos terríveis às negociações de livre-comércio, agora que se aproxima um momento de decisão, disse nesta quinta-feira o chefe de comércio da União Européia, Peter Mandelson.

Brasil, África do Sul, Índia e outros países em desenvolvimento pediram nesta semana mais exceções em relação aos cortes propostos para as tarifas sobre produtos industriais como parte da Rodada de Doha da Organização Mundial de Comércio.

Tal atitude limitaria novas oportunidades de exportação se um acordo - considerado como uma chance de impulsionar a economia global e ajudar na luta contra a pobreza - finalmente for alcançado.

A UE e os Estados Unidos já viram suas demandas se diluírem em uma proposta de acordo apresentada em julho pelo presidente das negociações de bens industriais da OMC.

Mandelson afirmou à Reuters que a atitude de grandes países em desenvolvimento de proteger mais de suas indústrias dos cortes de tarifas "é um insulto" aos objetivos de desenvolvimento da rodada.

- Tais líderes dos países em desenvolvimento como Brasil, Índia e África do Sul rejeitarem agora o texto sobre tarifas industriais causaria um dano terrível ao atual processo de negociação e acabaria com a confiança e a força que existem -disse Mandelson em entrevista.

- Agora não é o momento de assumir tais riscos e peço aos líderes de Brasil, Índia e África do Sul maior confiança na rodada em sua reunião na próxima semana - disse.

Os três líderes devem se reunir em Pretoria na quarta-feira. Os bens industriais surgiram como o novo campo de batalha nas negociações da OMC depois que os Estados Unidos sinalizaram que poderiam ir mais além com os cortes a seus subsídios agrícolas, sugerindo uma redução de diferenças nas negociações agrícolas.

Mas Mandelson afirmou que os EUA ainda têm que "melhorar de maneira significativa sua oferta para subsídios agrícolas".

Diplomatas da área afirmam que, sem um avanço nas próximas semanas ou meses, a rodada, lançada em 2001, corre o risco de sofrer mais anos de atraso ou um possível colapso.

Mandelson afirmou que os países mais vulneráveis deveriam ser protegidos, mas economias em desenvolvimento maiores enfrentam apenas uma abertura modesta de suas economias de acordo com as propostas.

A maioria dos grandes países em desenvolvimento teria que vincular tarifas industriais existentes a um acordo da OMC, não cortá-las em relação aos níveis mais baixos que de fato já praticam, e alguns outros fariam "ajustes limitados" de 1% ou 2% em 10 anos, disse ele.

- Se isso não for modesto, não sei o que é - disse ele.

Apesar de a abertura de novos mercados ser importante, o grande resultado da rodada seria impulsionar o comércio entre países pobres, algo vital para os esforços de reduzir a pobreza global, completou ele.

- Acho que ninguém poderia ter trazido a essa negociação uma convicção mais forte em relação a desenvolvimento do que eu - avalia.

Os EUA criticaram a atitude desta semana de países em desenvolvimento como um possível sinal do fim da rodada da OMC.

O governo brasileiro respondeu às acusações, afirmando que os comentários dos EUA eram "injustos, não razoáveis e irracionais".

Mandelson afirmou que as negociações estão se aproximando de um momento de verdade, mas que não estão virando um jogo de culpa.

- Eu genuinamente não estou fazendo isso. Ainda estarei proclamando a importância e 'executabilidade' dessa rodada ainda que eu seja a última pessoa no mundo - disse ele.