Dólar fecha em forte queda

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REUTERS

SÃO PAULO - O dólar fechou em forte queda nesta sexta-feira, influenciado pela entrada de divisas no país, e completou o terceiro dia seguido de baixa em meio à recuperação dos mercados internacionais. A moeda americana fechou a 1,943 real, em baixa de 2,26 por cento. Na semana, o dólar acumulou desvalorização de 4 por cento, mas ainda registra alta de 3,19 por cento no mês.

O mercado de câmbio abriu cauteloso nesta sessão, acompanhando a expectativa por dados sobre encomendas de bens duráveis e vendas de novas moradias nos Estados Unidos. Os indicadores, entretanto, vieram bem acima da expectativa de analistas e permitiram uma nova rodada de recuperação nos mercados internacionais que reforçou o fluxo cambial positivo para o país.

- Isso fez com que o humor melhorasse muito, fazendo com que entrassem mais recursos na bolsa (de São Paulo). Com essa entrada o dólar deu uma derretida - disse Tarcísio Rodrigues, diretor de câmbio do Banco Paulista.

Para João Medeiros, diretor de câmbio da corretora Pioneer, a recuperação no cenário externo devolve aos poucos a situação de "normalidade" ao mercado de câmbio.

- Tivemos essa distorção principalmente no câmbio e na bolsa em função dos acontecimentos no exterior. Se a coisa se acalmar por lá e o mercado voltar a trabalhar normalmente, eu acho que a gente volta para uma situação de investimento no país - disse, acrescentando que a manutenção desse ambiente favorável pode fazer o dólar voltar a cerca de 1,85 real em breve.

Rodrigues avalia que a moeda norte-americana pode encontrar um nível de resistência psicológica a 1,90 real como uma proteção contra uma eventual recaída dos mercados. Para ele, acima desse patamar o BC deve continuar sem promover leilões de compra de dólares no mercado à vista.

- Só se vier abaixo de 1,90 eu acredito que ele poderia pensar em entrar comprando dólar - comentou.

O último leilão de compra foi realizado em 13 de agosto. Sem as operações as reservas internacionais estacionaram ao redor de 160 bilhões de dólares nos últimos dias. Mesmo assim, Medeiros também avalia que o BC não deve voltar aos leilões nos próximos dias, com o objetivo de não reforçar a volatilidade no mercado.

- O BC tem agido corretamente, e eu acho que ele comprando agora colocaria mais lenha na fogueira. Na minha opinião, deixando o mercado quieto como ele deixou eu acho que a gente tem uma maior tranquilidade - afirmou Medeiros.