Queda da Selic leva gestores a buscar novas aplicações

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CAMPOS DO JORDÃO, 23 de agosto de 2007 - A queda da Selic para um dígíto pode levar a indústria de fundo a procurar outras alternativas de investimentos. O ex-presidente do Banco Central (BC), Gustavo Franco, estima que quando a taxa básica estiver em 8% ao ano, por exemplo, o rendimento dos fundos DIs dificilmente ganhará do da poupança. Para Franco, uma parte substancial dos R$ 1 trilhão da indústria de fundos irá para outros investimentos, como CDBs, poupança e compra de imóveis e, outra fatia para os fundos multimercados. Franco considera que o sistema financeiro está preparado para a mudança.

O presidente da Associação Nacional das Instituições Financeiras (Andima), Alfredo Moraes, acredita também que haverá uma procura maior por poupança e CDBs do que por fundos DIs. No entanto, para o executivo, eles não serão extintos, pois os três maiores bancos do País - Banco do Brasil, Bradesco e Itaú - são donos de mais de 50% da indústria de fundos nacional, portanto, não deverão acabar tão cedo com esses produtos. Com uma expectativa grande de queda nos juros contínua, ainda este ano, mais três vezes de 0,25 neste ano, Moraes afirma que os bancos buscarão alternativas para aumentar a escala, diversificando os produtos e com isso, a oferta de crédito para o setor produtivo deverá aumentar em função dessa queda nos juros.

Franco avalia ainda que à medida que os investimentos em poupança crescem, a isenção tributária teria que ser revista e a Taxa Referencial (TR) abolida. Outra mudança destacada por ele em relação à poupança é a questão da exigibilidade dos bancos para o Sistema Financeiro de Habitação (SFH). "Não há mais necessidade desta exigibilidade, uma vez que os bancos estão dispostos a emprestar e na medida em que a exigência é extinta as taxas de juros ficam mais baixas. Os bancos gostariam de emprestar por iniciativa própria", conclui.

(Alessandra Taraborelli e Rosana Hessel - InvestNews)