Cautela marca negócios no segmento de renda fixa

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SÃO PAULO, 14 de agosto de 2007 - O segmento de renda fixa teve um dia marcado pela cautela, decorrente das preocupações com as conseqüências das perdas do subprime. Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) o dia foi de ajustes para cima nas projeções dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI). O contrato de DI com vencimento em janeiro de 2010 registrou taxa máxima de 11,55% e fechou em 11,47% ao ano, contra 11,30% do ajuste de ontem. Este contrato teve 330,9 mil negócios fechados e giro de R$ 25,5 bilhões. Em um clima de tensão os investidores estrangeiros diminuem o apetite por ativos de risco, que é o caso do Brasil.

O gerente de renda fixa do Banco Prosper, Carlos Cintra, lembra que o comportamento do mercado de renda fixa segue atrelado à volatilidade internacional. Há indícios de que os problemas do setor hipotecário norte-americano seguem se alastrando. O UBS alertou sobre potenciais impactos em seu faturamento no segundo semestre, em razão da exposição do banco a um fundo com investimentos no setor hipotecário subprime. A gigante do varejo mundial, a americana Wal-Mart, rebaixou sua expectativa de lucros para este ano, apontando para uma desaceleração do consumo.

Cintra ressalta que, para completar o quadro de notícias ruins, foi informado que mais um fundo mútuo norte-americano, o Sentinel Management Group, pediu suspensão de resgates de recursos, pois a atual instabilidade do mercado limitou muito a capacidade de negociação da companhia. "Todas essas notícias geraram certo desconforto e incertezas de até onde essa crise dos subprime pode chegar", ressalta o executivo.

No front externo, o Departamento de Trabalho norte-americano informou que a inflação ao produtor (PPI) teve alta de 0,6% no mês passado, seguindo um avanço de 0,2% em junho. Já o núcleo do indicador subiu 0,1%, menor alta em três meses. A previsão era de alta de 0,1% para o índice cheio e ganho de 0,2% para o núcleo. A inesperada alta do PPI reduziu a chance de corte nos juros futuros de curto prazo pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA).

Internamente, foi divulgado o resultado do Índice Geral de Preços 10 (IGP-10) que subiu 0,64% em agosto, ante variação positiva de 0,22% em julho. O resultado de hoje superou as estimativas dos analistas que previam inflação entre 0,30% e 0,49%.

(Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)