Reserva para Cosan Ltd vai até dia 14
De acordo com o prospecto, a companhia com sede em Bermudas acessará o mercado brasileiro por meio da emissão de Brasilian Depositary Receipts (BDRs - certificado de depósito de ação). Cada BDR representa uma ação ordinária classe A.
A oferta brasileira é parte de uma oferta global de 100 milhões de ações ordinárias classe A no exterior, que listará a companhia na Bolsa de Valores de Nova York. Os coordenadores da oferta são os bancos Goldman Sachs, Credit Suisse e Morgan Stanley.
O preço por BDR será fixado após o procedimento de coleta de investimentos tendo como parâmetro a cotação de fechamento das ações ON da Cosan Brasil. Há pouco, estes papéis (CSAN3) eram negociados a R$ 32,00 na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Tomando por base esta cotação, a oferta pode movimentar mais de R$ 3,2 bilhões.
Os recursos levantados junto ao mercado serão destinados à expansão das atividades sucroalcooleiras da companhia, com destaque para o projeto greenfield, que inclui a construção de uma usina de etanol de última geração no Estado de Goiás. As atuais usinas serão ampliadas e recursos também serão destinados a sistemas de co-geração de energia.
O controle da companhia é de Rubens Ometto Silveira Mello, por meio das empresas Queluz holdings e Costa Pinto, que juntas detém 100% das ações Classe B1, que tem peso de 10 votos por papel. Com a realização da oferta, a participação das empresas cai para 49,1% do capital.
A oferta faz parte do plano de reestruturação do grupo, que tem por objetivo transformar a Cosan em um player global do setor de etanol e açúcar, com presença nos principais mercados consumidores e produtores do mundo, além de buscar redução de seu custo de capital.
Como parte do processo, a Cosan Ltd pretende realizar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) para as ações da Cosan Brasil. Os acionistas da Cosan que aceitarem a OPA receberão BDRs da Cosan Ltd em troca de suas ações ON da Cosan.
O anúncio feito dia 25 de junho desagradou os acionistas, e em três dias os papéis da Cosan caíram quase 14%. O motivo seria a relação de troca. O controlador deteria 51% das ações Classe B, que dão direito a 10 votos por ação, enquanto os outros acionistas receberiam papéis Classe A, que dão direito a apenas um voto.
A questão foi resolvida com a adoção de um ''lock up'' (trancamento), de três anos, por parte do controlador. A proposta também incluiu outra cláusula, pela qual as ações ordinárias classe B não podem ser transferidas a terceiros. Se o controlador Rubens Ometto desejar transferir suas ações para acionistas fora de sua família imediata, elas serão automaticamente convertidas em ON da classe A.
Com a implementação da reestruturação, a Cosan Ltd passará a deter 51% do capital social da Cosan, que segue controlada por Rubens Ometto.
(EC - InvestNews)
