☰

BNDES estoura orçamento e vai ao mercado

Por

RIO, 28 de junho de 2007 - Após quatro anos sem emprestar mais que o previsto, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) vai extrapolar o orçamento, estimado em até R$ 61 bilhões para este ano. Os pedidos das empresas por crédito já somam R$ 118 bilhões nos últimos doze meses até maio. E os desembolsos neste período são de R$ 57,7 bilhões. De acordo com o diretor financeiro, Maurício Lemos, a expectativa de superar o orçamento foi uma das razões que levou o banco a buscar mais recursos no mercado de capitais.

Ontem, o BNDES anunciou operação de emissão de debêntures no valor de R$ 1 bilhão. A operação deve ser iniciada de 3 a 23 de julho, no valor mínimo de mil reais para pessoas físicas. O valor máximo será de R$ 500 mil. Além de garantir os desembolsos, as operações de emissões de papéis tem como objetivo o fortalecimento do mercado de capitais, frisou Lemos.

Outro bilhão virá do Banco Mundial, que ofereceu empréstimo à instituição no início do ano. Mais recursos poderão partir do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), do qual o BNDES já toma recursos, mas em menos escala do que costumava obter no passado.

De acordo com Lemos, o FAT vem reduzindo ano a ano os recursos destinados às instituições, inclusive ao BNDES. Em 2006, os recursos provenientes do FAT eram R$ 6 bilhões, valor reduzido para R$ 3 bilhões em 2007. Lemos disse que o banco pedirá ao ministro do Trabalho, Carlos Lupi, a redução dos cortes nos recursos do FAT para a instituição.

O argumento para ter mais recursos do FAT é o aumento de desembolsos, forçado pelo crescimento da economia. Os investimentos dispararam em 2007 e foram os maiores responsáveis pelo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre. A taxa de investimento, de 17%, só não refletiu o aumento da Formação Bruta de Capital Fixo porque o dólar mais barato anulou o crescimento do volume da compra de bens de capitais.

Ao palestrar sobre o crescimento da economia brasileira durante homenagem ao BNDES feita pelo Clube de Engenharia, Coutinho acabou criticando o governo anterior. O crescimento das exportações, segundo ele, solidificou o balanço de pagamentos e reduziu a vulnerabilidade externade tal forma que finalmente estabilizou "verdadeiramente a economia".

"Todo esforço de estabilização da economia que se iniciou no PLano Real foi um esforço de estabilização extremamente precária, quase que uma falsa estabilização. Foi uma estabilização vulnerável a crises cambiais, que se traduzia em desvalorizações abruptas do câmbio com pressões inflacionárias e obrigava a subir as taxas de juros", disparou Coutinho durante a palestra.

"Nós só podemos afirmar a estabilização definitiva da economia brasileira em 2005, quando a robustez brasileira viabilizou a estabilização do câmbio. A possibilidade de surpresas inflacionárias a partir de depreciações cambiais é página virada enquanto mantivermos a robustez do câmbio, que eu espero não ser desmanchada", completou.

(Sabrina Lorenzi - InvestNews)