Rússia: G8 tem de se concentrar na energia, não só em economia

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REUTERS

BRUXELAS - O mundo deveria repensar sua ênfase no crescimento econômico e aumentar os esforços para criar fontes alternativas de energia que não sejam prejudiciais ao meio ambiente, afirmou uma pré-declaração da Rússia, grande exportadora de petróleo e gás natural, nos preparativos para a cúpula do G8. A nota, de autoria do Ministério da Energia russo e preparada para uma reunião entre vários ministros da mesma área, pede aos governos do G8 (o grupo dos países mais industrializados do mundo mais a Rússia) que não deixem o crescimento econômico ganhar prioridade sobre o combate à pobreza e sobre o fornecimento de energia.

"O modelo tradicional de desenvolvimento industrial, que visa ao crescimento econômico desenfreado, requer um grande ajuste", disse a nota. Os governos deveriam pensar nas "características específicas da economia mundial, cada vez mais interdependente, na exaustibilidade dos recursos mundiais e no agravamento dos problemas humanitários, hoje em dia intimamente ligados a problemas de energia", disse o documento. O comunicado, que ainda não foi aprovado pelos ministros e pode mudar, está endereçado aos países que formam o Grupo dos Oito e que vão se reunir na Alemanha na semana que vem.

A Rússia está organizando a reunião junto com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Segundo uma porta-voz da Unesco, porém, apenas 12 países vão enviar ministros. O Brasil, a Croácia, a Dinamarca, a República Dominicana, a Grécia, o Kuweit, a Mongólia, a Sérvia, o Sri Lanka, o Sudão e o Uruguai já confirmaram a participação no evento sobre energia, disse representante da Unesco. Também deve haver participantes de outros países, além de representantes da Comissão Européia e de outras instituições.

Além da Rússia, nenhum outro país do G8 confirmou participação na reunião ministerial sobre energia. A declaração não faz menção à redução das emissões de gases que causam o efeito estufa, ponto em que a chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, pretende marcar posição na cúpula do G8, que será presidida por ela.

Mas o texto faz pressão pelo desenvolvimento de fontes de energia sustentável, como o hidrogênio, a energia termonuclear e solar e os biocombustíveis. A Rússia é o segundo maior país exportador de petróleo do mundo e o maior produtor de gás natural do planeta. É o maior fornecedor de energia para a União Européia e costuma não ver com bons olhos os planos europeus de diversificar as fontes de combustível.

A própria Rússia ainda deve depender dos combustíveis fósseis por décadas, mas especialistas dizem que medidas de economia de energia podem ajudar o país a reduzir pela metade seu consumo de gás natural.