Câmara e Senado estão em rota de colisão
"É prematuro fazer afirmações conclusivas. Estamos tendo o cuidado de investigar, ouvir todos os lados e, principalmente, identificar se não houve problemas técnicos antes do acidente", disse Maia.
Há duas semanas, o deputado visitou com integrantes da comissão o Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo em Brasília (Cindacta-1). Ao sair da sessão da CPI do Senado ontem, Torres deu o troco. Disse que chamará especialistas para visitar o Cindacta-1, mas "não a passeio", numa indireta para o deputado, que teve a visita restringida pela Aeronáutica. Torres também rebateu diretamente as críticas de Maia.
"Acho que os deputados deveriam se concentrar no trabalho deles. Eles estão muito preocupados com o trabalho no Senado", declarou Torres. "Quem sabe se estudassem um pouco mais, lessem mais, eles pudessem dar um juízo melhor. Não estou preocupado com os deputados. Desejo que façam um bom trabalho e, se possível, estudando, em vez de ficar soltando farpas".
Torres prometeu ontem que concluirá um relatório preliminar em duas semanas. E anunciou que pedirá o indiciamento de um controlador e dos pilotos do jato Legacy Jan Paul Paladino e Joseph Lepore.
"É preciso dizer que a conclusão da CPI é a mesma que teve a Polícia Federal e o Ministério Público Federal.
Na segunda-feira, depois de ouvir quatro controladores - três do Cindacta-1 e um de Manaus (Cindacta-4) - Torres disse não ter dúvidas de que o chefe dos controladores no dia da tragédia, Jomarcelo Fernandes dos Santos, é responsável pelo acidente, porque teria conhecimento de que o jato voava em rota de colisão com o Boeing da Gol e mesmo assim não contatou os pilotos. Além disso, não teria avisado o controlador que o substituiu sobre a situação irregular.
Os quatro controladores foram denunciados pelo Ministério Público de Mato Grosso - três por crime culposo e Jomarcelo por crime doloso (com intenção). Em suas defesas, acusaram os pilotos de não terem mudado a altitude da aeronave quando voavam por Brasília, conforme plano de vôo. Em nenhum momento admitiram falhas. Culparam também o software instalado pela Aeronáutica, o aparelho que transmite informações dos vôos para a tela de monitoramento.
Torres disse ontem que pretende pedir dados à Aeronáutica sobre o sistema que os controladores julgaram falho. O depoimento ontem de manhã do coronel Rufino Antônio da Silva Ferreira, presidente da comissão de investigação do acidente no Cindacta-1, não convenceu o senador. O oficial negou que haja falha no sistema e garantiu que ele estava funcionando bem no dia do acidente.
"Temos de investigar todas as vertentes. Vamos visitar o Cindacta com especialistas. Ir lá só para passear não resolve", disse o senador.
(Leandro Mazzini - InvestNews)
