Ágora vê fundos de pensão mais presentes na Bovespa

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REUTERS

SÃO PAULO - Os estrangeiros não devem perder a liderança no ranking de compradores na Bolsa de Valores de São Paulo tão cedo, mas fundos de pensão locais contribuirão cada vez mais para o fluxo da bolsa paulista, avalia a maior corretora de ações do país.

- Diante da queda do juro brasileiro, as fundações vão ter que ir um pouco mais para o risco para cumprir com folga seus planos atuariais - estima Álvaro Bandeira, diretor da Ágora.

- Tem aí um fluxo de investidores institucionais locais para o mercado de renda variável. Mas os estrangeiros ainda vão continuar a ser o principal - afirmou.

Segundo a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), os fundos de pensão aplicam atualmente, em média, 32% de seu patrimônio em renda variável, o que representa algo em torno de R$ 85 bilhões.

A lei permite que até 50% sejam direcionados para a bolsa. Fundações de peso - como a Previ, dos funcionários do Banco do Brasil - têm ações acima do permitido, mas várias outras têm espaço para compras.

Um sinal da necessidade de diversificação veio dos títulos públicos, com grande presença na carteira dos fundos de pensão.

Esta semana, o Tesouro Nacional vendeu ao mercado papéis (NTN-B) com juro real de 5,82%, abaixo da meta atuarial das fundações, que é de 6 por cento ao ano acima da inflação.

Desde 2005, o ranking de investidores na Bovespa permanece o mesmo, com estrangeiros na liderança, investidores institucionais em segundo e pessoas físicas em terceiro.

São vários os motivos que têm atraído investidores para a bolsa paulista: aumento da liquidez internacional, crescimento global e queda do juro brasileiro, além da perspectiva de que o país atinja, em breve, grau de investimento.

Segundo Bandeira, a perspectiva de grau de investimento garante um "movimento mais duradouro" na Bovespa, cujo principal indicador tem registrado sucessivos recordes.

- Primeiro, com a antecipação de quem pode investir e que não investiu ainda e, depois, quando abrir a janela de 'investment grade'. Se abrir, você tem um outro fluxo de quem ficará liberado para investir -lembrou.

A projeção da Ágora para o Ibovespa, de 55.400 pontos no final do ano, está sendo revista para cima.

- Alguns parâmetros ficaram melhores. O risco Brasil a gente projetava 160 e está em 140; o dólar a gente projetava acima de 2 e está abaixo; e o resultado das empresas no primeiro trimestre a gente projetava um pouco mais fraco do que efetivamente aconteceu. Então a gente vai rever isso para cima - disse o diretor da corretora.