Moody's coloca classificação do Brasil em revisão
A Moody's se mostra mais cautelosa do que as agências Fitch e a Stantard & Poor's, que nas duas últimas semana elevaram o classificação do país de BB, para BB+, ou seja, a um passo do investment grade. O ponto de concordância entre as agências é a necessidade de reformas. Outro ponto é a redução da dívida e o enquadramento das métricas econômicas do Brasil com a de países que apresentam a mesma classificação de risco.
A revisão vai cobrir o teto soberano em moeda estrangeira, atualmente em Ba1, e os ratings de dívida do Brasil em moeda local e estrangeira, em Ba2. O teto soberano tem como base os ratings de dívida pública e a percepção da Moody's de um risco moderado de moratória de pagamentos no caso de uma inadimplência do governo. O teto para depósitos bancários em moeda estrangeira, que está em Ba3, também será reavaliado.
"Enquanto os indicadores de vulnerabilidade externa apresentaram uma impressionante redução, a melhora dos indicadores de dívida governamental foram menos brilhantes", disse o analista sênior da Moody's, Mauro Leos, por meio de comunicado. "Ainda sim, a estrutura da dívida doméstica está melhorando e os indicadores do governo estão recuando."
Na avaliação da agência, o País tem se beneficiado da gerência ativa da dívida e da tendência e perspectiva de menores indicadores de dívida no médio prazo. Para Leos, a revisão vai avaliar a possibilidade de uma redução sustentada nos indicadores de dívida do governo e a probabilidade das obrigações com pagamentos de juros ficar mais alinhada com países que estão no último estágio antes do investment grade (classificação Ba1).
"Atingir um progresso sustentável requer confiança no suporte político para propostas que, se implementadas e aprovadas pelo Congresso, podem fortalecer os fundamentos fiscais com o passar do tempo", disse Leos.
A Moody's vai avaliar a probabilidade de que uma parte ainda maior da dívida seja desvinculada de juros flutuantes e a possibilidade de prazos de vencimento mais longos.
Leos ainda disse que a Moody's também avaliará o comportamento da economia brasileira em cenários globais menos favoráveis, que podem vir a testar a capacidade de absorção e resistência da economia em caso de choques adversos provenientes da economia externa.
(EC - InvestNews)
