Jucá defende-se de emenda destinada à Gautama
Em ofício, de número 373 e datado de 23 de dezembro de 2004, o então ministro do Planejamento, Nelson Machado, pede para que Jucá, na época relator do Orçamento da União no Congresso, inclua as "programações orçamentárias relativas aos projetos previamente selecionados pelo Poder Executivo face aos seus aspectos de economicidade e relevância para o desenvolvimento nacional". Entre as emendas indicadas por Machado no documento em anexo, está a destinada à recuperação de trechos rodoviários nas BRs-116 e 242, localizadas na Bahia, no valor de R$ 64,3 milhões, cuja obra ficou sob a batuta da Gautama.
O valor é parte da verba reservada no Orçamento daquele ano pelo senador para empreendimentos tocados pela Gautama. Reportagem publicada ontem com exclusividade pelo JB mostrou que Jucá foi o recordista de emendas que tinham como destino obras sob responsabilidade da empreiteira de Zuleido Veras, acusado pela Polícia Federal de coordenar esquema de fraude em licitações e desvio de verba pública. No total, Jucá separou, no orçamento, 94,3 milhões em emendas destinadas a obras a cargo da construtora alvo de investigação da PF.
Procurado por este jornal na quarta-feira, o líder do governo alegou ter agido instruído pelo ministério do Planejamento. Mas a assessoria do órgão havia jogado a responsabilidade pela apresentação da emenda no colo de Jucá. Disse tratar-se de uma iniciativa exclusiva do senador. Não é, no entanto, o que revela a documentação encaminhada pelo senador.
Além da emenda para a obra de recuperação de trechos rodoviários na Bahia, que foi executada pela Gautama, o ministério do Planejamento indicou outras sete para serem incluídas no Orçamento Geral da União de 2005. Todas envolvendo a restauração ou recuperação de estradas nos Estados de Santa Catarina, Ceará, Piauí, Maranhão, Tocantins, Minas Gerais e Espírito Santo.
Ontem, Jucá também insistiu que, do total de R$ 64 milhões, o governo só autorizou R$ 40 milhões para a obra de recuperação da rodovia na Bahia, dos quais só R$ 2 milhões ficaram efetivamente a cargo da Gautama. O senador justificou ainda a apresentação da outra emenda, no valor de R$ 30 milhões, em favor de obras do Amazonas que ficariam sob a responsabilidade da empreiteira.
"Como era relator, juntei uma série de emendas apresentadas por parlamentares, que tinham a mesma destinação, numa só", disse.
(Sérgio Pardellas - InvestNews)
