Bancos: Jovens se mostram conservadores na hora da escolha
Silvia Regina Rosa, InvestNews
SÃO PAULO - Ao falarmos de população jovem, qualquer definição e adjetivo vêm à mente, menos uma: conservador. Pois quando o assunto é banco, os jovens são de fato muito conservadores. Tal constatação vem de pesquisa realizada pela agência de publicidade Namosca, pioneira em marketing jovem.
- Percebemos até pelo market share dos bancos que eles tendem a recorrer aos mais tradicionais e ouvem muito os pais quanto estão a procura de um banco, afirmou Alfredo Motta, sócio-direto da Namosca.
As diferenças entre gerações e visão de mundo são deixadas de lado e os principais conselheiros na hora de abrir uma conta em banco são os pais. Esta foi a resposta dada por 71% dos jovens universitários entrevistados. Isso mesmo, os amigos, mais presentes e vistos como grande fonte de influencia ficam em segundo plano, com apenas 13% das respostas. E o gerente do banco é o conselheiro para 9%.
De acordo com a pesquisa, o índice de bancarização deste público é bastante elevado, 73%. Do total de entrevistados, 36% possuem contas comuns, 20% contas universitárias, 15% contas poupança e 1% contas empresarial ou conjunta, e 27% ainda não possuem conta.
Apesar do conselho dos pais ter o maior peso é o recebimento do salário que determina em qual banco será aberta a conta. Esta foi a resposta dada por 43% da amostra. A interferência dos pais fica em segundo lugar agora, com 25% das respostas. A confiança na instituição aparece em terceiro lugar, com 18% das respostas, seguida pela pesquisa (6%) e por algum tipo de promoção oferecida na hora da matrícula na faculdade (5%).
Mas este quadro de escolha impositiva está para mudar. E é aqui que as estratégias utilizadas pelos bancos passarão a fazer maior diferença. Com a Lei da portabilidade bancária a caminho os motivos de escolha certamente irão mudar.
A pergunta que surge então é: O que faria este cliente universitário mudar imediatamente de banco? A resposta dada pelos entrevistados não deve diferir muito da média da população: Menores tarifas e mais serviços. Mas o ponto interessante relevado pela pesquisa é que o segundo item em importância que faria este cliente mudar de instituição seria um posto bancário dentro da sua faculdade. A vantagem de 12 dias sem juros no cheque aparece em quarto lugar, seguido pela preferência por brindes e outros mimos.
Pode parecer estranha esta preferência por uma agência ou ATM na faculdade, mas ao observamos outro ponto da pesquisa logo percebemos o motivo desta escolha. A agência perguntou quais os três principais atributos de um banco e o quesito facilidade foi apontado pela maioria (28,54%). Baixas tarifas é o segundo principal atributo, com 16,22% das respostas, rivalizando com o bom atendimento (15,35%). Em quarto lugar, com 12,21%, está a tradição e confiabilidade da instituição e em por último a rentabilidade, com 2,68%.
De acordo com Motta, o Banco representa conotações negativas entre este público. Para o jovem universitário, um bom banco é aquele que oferece independência com relação à visitas à agência. Um bom banco é aquele que tem caixas eletrônicos bem distribuídos, se possível na faculdade e no trabalho, internet banking fácil de usar assim como os serviços pelo telefone. "Agência é sinônimo de perda tempo, burocracia. Então a facilidade e a conveniência são tudo para eles. O ponto na faculdade é uma grande conveniência e pode determinar a escolha de entre de um banco em relação aos outros."
A Namosca facilitou bastante o trabalho dos bancos e foi direto ao ponto ao perguntar o que o banco deve oferecer para conquista este público. O item que mais se ressaltou nesta questão aberta, foi a bolsa de estudo, com 24,97% das indicações. Quase empatados ficaram os cursos e ingressos para cinema e shows, com cerca de 12% cada. A oferta de financiamento ficou em quinto lugar em preferência como item de conquista, seguido por sorteio de prêmios, seminários, ingressos de festas e revistas exclusivas.
- Isso abre espaço para uma nova modalidade de crédito, o crédito educacional. Isso ganha destaque ao observarmos que a educação é a maior despesa deste público. Alguns bancos já utilizam, mas não é uma coisa maciçamente arraigada no meio. Os dados indicam que este seria um produto de grande sucesso dentro da comunidade, ressalta Motta.
A forma de utilização dos serviços denota a geração digital. O serviço mais utilizado mensalmente pelo estudante é o internet banking, com uma média de seis acessos por mês. Também com taxa de utilização de seis ao mês estão os saques. As consultas diversas são feitas cinco vezes ao mês. Os cartões de crédito e débito são utilizados quatro vezes. Pagamentos são dois por mês assim como o número de visitas à agência.
Outro ponto bastante interessante, este grupo emite apenas um cheque por mês e parece bastante preocupado com sua solvência, a média de dias no cheque especial por mês é de apenas um.
De acordo com Motta, o nível de inadimplência do jovem universitário é menor que a média dos jovens.
- Eles tendem a evitar a contração de dívidas, até por que um erro no começo da vida financeira pode prejudicá-los futuramente. Eles não querem o nome no SPC ou Serasa. E isso fica claro pela utilização do cheque em apenas um dia ao mês na média.
Foram entrevistados 400 universitários, divididos igualmente entre homens e mulheres, sendo 70% do ensino privado e 30% do ensino público, 40% cursando o período matutino e 60% o noturno. Os cursos foram Comunicação (20%), Engenharia (25%), ADM/Economia (25%), Direito (20%) e Medicina/Odonto (10%). Sendo 30% dos alunos cursando o primeiro ano e 23% nos demais.
