Álcool despenca no mercado interno e viabiliza exportações
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SÃO PAULO - O forte recuo dos preços do álcool hidratado no Brasil nas últimas semanas começa a viabilizar o fechamento de contratos para exportação, que devem acabar servindo de piso para o mercado local este ano diante da ampla oferta, afirmaram corretores nesta segunda-feira.
Até agora, com os preços internos relativamente altos durante o período de entressafra (dezembro a abril), as usinas estavam afastadas do mercado externo. A valorização do real também contribuiu para inibir os negócios com o exterior.
- O mercado destravou, e foram feitos negócios - disse Tarcilo Ricardo Rodrigues, diretor da Bioagência, que negocia venda de álcool de várias usinas do centro-sul.
Segundo ele, foram realizadas vendas de vários carregamentos de hidratado a 380-390 dólares por metro cúbico (mil litros) FOB para embarques a partir de junho. A maioria terá como destino o Caribe, onde o hidratado será reprocessado e de onde partirá para o mercado norte-americano.
- O câmbio complica um pouco, mas temos que conviver com isso - disse ele, acrescentando que há bastante interesse externo, especialmente para o Caribe neste momento.
Um corretor relata que há duas semanas saiu um negócio por 310 dólares por metro cúbico (FOB Santos) para embarque em julho. A venda teria sido feita para 'enxugar' o mercado local, que vem caindo fortemente com o avanço da safra de cana.
Embora as ofertas internacionais não sejam muito altas, elas acabam 'empatando' com o valor praticado no mercado interno e ainda ajudam a retirar produto, podendo contribuir para uma recuperação dos preços domésticos.
A situação é bem diferente da safra passada, quando o petróleo estava mais alto, o real não valia tanto frente ao dólar e a oferta nos EUA -- que estão substituindo o MTBE pelo álcool como oxigenante da gasolina -- era menor.
Corretores afirmam acreditar que as cotações na exportação ficarão bem aquém das verificadas em 2006 --de 560 a 580 dólares por metro cúbico na média.
O álcool vem caindo de forma expressiva no mercado local.
- Tem muita oferta e pouca demanda. O preço ainda não caiu como deveria na bomba para estimular o consumo - afirmou Ivan Bueno, diretor da corretora Mikz.
O hidratado, cuja oferta é superior à do anidro, chegou a ser negociado nesta segunda-feira por 750-760 reais o metro cúbico com ICMS. Há uma semana, o produto saía por 850 reais.
O anidro está mais sustentado, sendo comercializado de 900 até 950 reais por metro cúbico.
- O hidratado, se continuar caindo assim, a tendência é ter exportações mais aceleradas - afirmou Marcelo Andrade, diretor da corretora Ecoflex. 'É apenas uma questão de tempo.'
Andrade disse que o comprador externo fala hoje em 350 dólares por metro cúbico para o hidratado e 380 dólares para o anidro.
A retomada das exportações ocorre justamente no momento de lançamento do novo contrato futuro de álcool na BM&F. Cotado em dólar por metro cúbico e tendo como ponto de formação de preço o porto de Santos, a bolsa tenta atrair players estrangeiros.
Na sexta-feira, primeiro dia de negociação, 532 contratos foram negociados. O mercado vê o papel como um passo necessário para que o produto vire commodity internacional, mas muitos seguem céticos, citando a experiência da Nybot, cujo contrato sofre com falta de liquidez.
