Mercado realiza lucro, mas dólar perde 3% na semana
A queda livre do dólar levou os grandes bancos a reduzir suas projeções para a cotação do dólar no fechamento do ano, para algo próximo de R$ 2. Esta queda, reforçou ainda a visão de que, uma redução mais rápida da Selic seria a maneira mais eficaz de conter a sobrevalorização do câmbio.
Para Francisco Carvalho, gerente de câmbio da corretora Liquidez, o ajuste de hoje na cotação foi pontual. "Os investidores aproveitaram para realizar o lucro da semana e manter a preço", frisou, ressaltando que o mercado pode ter encontrado um ponto de equilíbrio no curtíssimo prazo em R$ 1,95.
Segundo Carvalho, o Banco Central brasileiro deve continuar atuando, só que mais no mercado à vista do que com swaps. "A tendência de queda permanece, mas vai depender do fluxo e dos próximos indicadores", disse. Hoje, a autoridade monetária comprou cerca de US$ 400 milhões para recompor as reservas internacionais.
Nesta sexta, a China roubou a cena ao anunciar um trio de medidas para conter o crescimento do crédito, dos investimentos e de seu mercado acionário, onde o índice Composto de Shangai já subiu 85% este ano. O Banco Popular chinês elevou o compulsório e também as taxas de juros sobre depósitos e empréstimos bancários, além de ampliar a faixa de oscilação do yuan frente ao dólar de 0,3% para 0,5% acima ou abaixo da paridade central da moeda. As medidas foram avaliadas como "simbólicas" para arrefecer o rápido e expressivo crescimento econômico do país.
"As mudanças na China não afetaram diretamente a cotação do dólar, mas contribui para adicionar cautela do mercado", destacou um analista, ponderando que, apesar do ajuste, os investidores seguem atentos às boas perspectivas externas sobre a economia brasileira, em especial ao desempenho do risco que renovou o piso histórico, aos 140 pontos.
(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)
