Maggi defende produção de álcool a partir de milho em MT
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CUIABÁ - Investidores e agricultores serão incentivados pelo governo mato-grossense a produzir álcool a partir do milho como forma de estimular a rotação de culturas no Estado, o maior produtor nacional de soja, e elevar a renda rural. O governador do Estado, Blairo Maggi, um dos maiores sojicultores do mundo, é o incentivador da empreitada, após constatar em visita recente aos Estados Unidos que a produção de etanol de milho é "viável em Mato Grosso". Ele diz que fala com "faro e tino de empresário, como um dos caminhos a seguir".
- Mato Grosso pode produzir 15 milhões de toneladas de milho por ano. Podemos sair da monocultura da soja - afirma o governador do Estado, que deve produzir perto de 5 milhões de toneladas de milho este ano.
- Marcaremos reunião com investidores para dizer que podem produzir no Estado igual produzem nos Estados Unidos - avalia, sem comparar os custos com o álcool de cana-de-açúcar.
Especialistas afirmam que o custo de produção do álcool de cana no Brasil é imbatível quando comparado ao do álcool de milho. Além disso, o primeiro produto apresenta uma eficiência energética muito superior à do derivado de milho. Maggi ressaltou que o processamento do cereal permitiria ainda a produção de farelo para alimentação suína e bovina.
- Vamos ter oferta maior de milho, o impacto ambiental é menor, faremos rotação de cultura e diminuição de fertilizantes e fungicidas - afirma.
- O milho é produzido aqui de forma barata.
Segundo Maggi, a nova atividade iria remunerar melhor os produtores de milho pelo aumento da demanda.
- Aqui no Brasil o bushel do milho chega a 3,50 dólares. O projeto é remunerar até cinco dólares os produtores - disse.
Maggi foi aos Estados Unidos vender a imagem da produção local sustentável e de cuidados com monitoramento do desmatamento executado pela sua gestão.
- A agricultura em Mato Grosso ocupa 7,6 por cento do território; terras indígenas (ocupam) 14 por cento. O que incomoda é o volume de produção - disse, sobre eventual retaliação a produtos mato-grossenses.
O governador reforçou junto a organismos multilaterais de financiamento, como o Banco Mundial, a necessidade de se pagar a produtores e governo uma compensação para manter a floresta em pé, discurso propagado por ele nos últimos meses. Outra proposta defendida por Maggi é que o IFC, divisão de financiamento privado do banco, destine recursos para a pavimentação de rodovias em Mato Grosso. Segundo ele, o banco poderia fazer aportes totais ou em parceria. Nos próximos dias, técnicos da instituição visitam Mato Grosso com o objetivo de aprofundar projetos.
