Pesquisador do Ipea questiona ação para inválidos
´Pela legislação, é preciso realizar a perícia a cada dois anos para a revalidação do benefício´, diz. ´Uma medida como essa tem mais apelo na mídia. Querem transformar uma ação de manutenção em um evento extraordinário, o que desvia o olhar de um real problema de gestão´, diz o pesquisador do Ipea, órgão ligado ao Ministério do Planejamento. Atualmente, o Brasil tem 2,7 milhões de aposentados por invalidez. O universo corresponde a cerca de 10% do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), que tem 24,6 milhões de beneficiários.
Delgado ataca outra frente do Ministério para melhorar as contas. Ele diz que as ações de combate às fraudes no auxílio-doença são necessárias, mas insuficientes para acabar com o déficit do órgão. ´Essa despesa do INSS era de cerca de 4% de todo o RGPS. Isso chegou a 8%, uma evolução mais que extraordinária. Claramente, houve perda de controle de algumas situações, mas esse gasto corresponde a 8%. Por mais que esse número tenha crescido, não pode ser a grande causa do problema. É matemático´, reforça.
O pesquisador do Ipea defende a modificação da estrutura previdenciária do Brasil como forma de responder aos déficits bilionários da Previdência. ´Não é com gestão de curto prazo que vamos resolver os problemas. É preciso atacar os parâmetros da Previdência como a idade mínima e também revisar aspectos como a longevidade´, defende. Em 2006, o rombo do órgão atingiu R$ 42,065 bilhões. Para 2007, a previsão é de que o déficit cresça para R$ 45,8 bilhões.
(Fernando Nakagawa - InvestNews)
