Indústria automotiva aguarda auge do etanol para exportar carros flex

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Agência EFE

SÃO PAULO - A indústria automotiva brasileira espera uma maior expansão mundial do etanol para começar a exportar automóveis com motores biocombustíveis, conhecidos como flex, informaram nesta quinta-feira fontes do setor.

O diretor técnico da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Aurelio Santana, disse à agência Efe que 'para o Brasil começar a exportar automóveis do tipo flex é necessária uma maior expansão do mercado mundial, e isso está acontecendo gradualmente'.

Santana afirmou que em muitos países o álcool já é misturado com a gasolina comum em diferentes porcentagens, e que depois passará à importação ou fabricação dos carros flex, fase para a qual 'a indústria brasileira está se preparando'.

- Mas ainda não há previsões de quando isso acontecerá, embora a Argentina, por exemplo, já tenha começado uma produção de carros flex - acrescentou.

O Brasil se empenhou em promover o etanol em nível mundial, campanha na qual ganhou adeptos como o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, como ficou demonstrado em sua visita no mês passado ao país, na qual foram assinados acordos de cooperação sobre esse combustível.

A expansão do mercado dos carros flex é uma das alternativas da indústria brasileira do motor para enfrentar a desvalorização do dólar em relação ao real, que reduziu os lucros das exportações.

A instalação de fábricas e unidades de montagem em outros países, como México, Estados Unidos e Uruguai, é outra alternativa do setor automotivo para manter sua margem de lucro.

No entanto o presidente em fim de mandato da Anfavea, Rogelio Golfarb, que será substituído por Jackson Schneider, disse à Efe que a expansão de investimentos brasileiros do setor automotivo em outros países 'faz parte do processo normal de globalização'.

- Todo mundo procura assegurar seus investimentos, seu capital, e o faz onde possa obter melhores resultados - afirmou o executivo, que hoje apresentou o balanço da indústria automotiva no primeiro trimestre.

A produção cresceu 4%, com 655 mil veículos fabricados no primeiro trimestre do ano, enquanto as vendas subiram 18,1%, para as 493.100 unidades.

Os lucros, no entanto, caíram 0,6% no mercado interno e 9,5% nas exportações, que nos primeiros três meses do ano somaram US$ 1,05 bilhão.

As previsões da Anfavea para este ano são de um aumento de 6,5% na produção e de 14,5% nas vendas internas, enquanto para as exportações espera-se que se mantenham estáveis, em torno dos US$ 12 bilhões.