Para primeiro-ministro, desenvolvimento chinês é 'insustentável'
Agência EFE
PEQUIM - O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, disse hoje que o desenvolvimento econômico de seu país é 'instável, desequilibrado, descoordenado e insustentável' e a sua regulação vai exigir 'um longo período'.
"O principal problema da economia chinesa é um desenvolvimento instável, desequilibrado, descoordenado e insustentável, criando tensões estruturais', afirmou o dirigente em entrevista coletiva após o encerramento da sessão anual do Congresso Nacional do Povo (CNP, Legislativo).
"Por desenvolvimento instável, quero dizer que temos um excesso nos investimentos, no crédito e na liquidez. Além disso, não temos relações comerciais nem pagamentos internacionais equilibrados', explicou Wen.
Ele lembrou um provérbio chinês que ensina que 'um país que parece ser pacífico e estável pode ter uma crise escondida'.
O governante também citou os 'desequilíbrios entre o meio rural e o urbano, no desenvolvimento das diferentes regiões, e entre o crescimento econômico e o desenvolvimento social'.
Quanto à descoordenação, ele ressaltou os desajustes entre os setores primário, secundário e terciário. Também chamou a atenção para as diferenças no investimento e no consumo. 'A economia chinesa se baseia excessivamente na exportação e no investimento, o que não é sustentável', criticou.
A sessão anual do CNP foi histórica, aprovando a primeira lei a reconhecer na China a propriedade privada.
De acordo com Wen, os principais desafios para o país são 'fazer um bom trabalho para solucionar seus problemas, fazer um bom trabalho em economia de energia, reduzir as emissões poluentes e proteger adequadamente o meio ambiente'.
"O mais importante é que manter um ambiente internacional pacífico para concentrar nossos recursos e nossa energia no desenvolvimento econômico', receitou.
O Governo chinês, disse Wen, quer 'que a economia tenha uma base mais sólida, e reduzir as emissões para obter um desenvolvimento sustentável'.
No entanto, ele negou a necessidade de assumir o compromisso exigido principalmente pela União Européia para a redução das emissões poluentes. Wen insistiu que, como país em desenvolvimento, não está obrigado pelo Protocolo de Kyoto a adotar as metas.
De qualquer forma, disse, a China iniciou seu próprio plano para reduzir as emissões poluentes em 20% até 2010.
