Dificuldades em setor hipotecário podem afetar outros setores
Agência EFE
WASHINGTON - O ex-presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano) Alan Greenspan advertiu nesta quinta-feira que o aumento da inadimplência nas hipotecas de risco poderia afetar outros setores da economia americana.
- Se os preços (das casas) caírem, teremos problemas, problemas no sentido de que haja um contágio em outras áreas - disse Greenspan em uma conferência da Associação da Indústria de Futuros, em Boca Raton (Flórida).
Greenspan, que passou o comando do Fed a Ben Bernanke em janeiro do ano passado, após mais de 18 anos no cargo, disse que é 'difícil' encontrar provas de que esse contágio já tenha acontecido.
No entanto, enfatizou que o problema das hipotecas de risco 'não é um assunto de pouca importância'. Seria resolvido, na sua opinião, com uma recuperação do mercado imobiliário que faça subir 10% os preços dos bens imobiliários.
Greenspan disse que os problemas do setor são porque muitos compradores adquiriram casas a preços muito altos nas vésperas do fim do boom dos bens imobiliários, e com isso ficaram em uma posição vulnerável às altas dos juros.
Devido à estagnação do mercado, muitos compradores não podem sequer recuperar o dinheiro de aquisição da casa e saldar seus créditos.
Os problemas são mais graves para que têm hipotecas de risco, concedidas a pessoas com pouco colateral ou um mal histórico de pagamento.
Segundo a Associação de Bancos Hipotecários, existem atualmente nos Estados Unidos cerca de 6 milhões de empréstimos desse tipo.
Na terça-feira, a associação informou que a inadimplência afeta quase 8% desse número, o que causou a segunda maior queda das bolsas nova-iorquinas em quatro anos.
Em 2 de março, em uma audiência no Congresso, Bernanke descartou que o aumento da execução de hipotecas não-pagas tenha impacto na economia em geral.
No entanto, desde então, os problemas intensificaram-se. Além dos dados negativos divulgados pela Associação de Bancos Hipotecários, vieram as dificuldades da New Century, a segunda maior empresa do setor, que está sendo pressionada por seus credores e cuja cotação foi suspensa ontem.
