Ciesp critica taxa de crescimento do País

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SÃO PAULO, 28 de fevereiro de 2007 - Para o diretor do departamento de economia do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Boris Tabacof, o crescimento de 2,9% em 2006 posiciona o Brasil em uma amarga posição no ranking do crescimento latino-americano e mundial. Ele lembra que pelo segundo ano consecutivo, o crescimento brasileiro deve superar apenas o do Haiti e ficará muito atrás das taxas observadas nos demais países emergentes, como China, que cresceu 10,7% no ano passado, Rússia (6,7%) e Índia, que, segundo previsões deverá registrar um crescimento de 9,2%.

"O baixo dinamismo da economia brasileira reitera as críticas quanto à condução da política econômica, sobretudo com respeito à intrínseca relação câmbio/juros. Com a manutenção dos juros reais em um patamar muito elevado aumenta o ingresso de divisas no País, forçando a valorização da moeda nacional, apesar da disposição do Banco Central em comprar os dólares excedentes, medida adequada mas não suficiente para segurar a enxurrada de dólares que ingressa, agravando o problema cambial", avalia.

No entanto, segundo Tabacof, a "persistência de taxas medíocres" de crescimento mostra que o problema brasileiro vai além da pura e simples condução - equivocada - da política econômica. "Indiscutivelmente, diversos fatores conspiraram a favor do crescimento no ano passado - crédito e massa salarial em expansão, juros ainda elevados, mas em trajetória de queda e taxa de desemprego estável. Entretanto, nenhum desses fatores se refletiu na expansão da economia brasileira. Por isso, é preciso discutir os impasses estruturais do crescimento econômico brasileiro, como a má qualidade da infra-estrutura, os entraves gerados por legislações arcaicas nas áreas trabalhista, sindical e tributária e o baixo nível educacional do trabalhador brasileiro", disse.

Tabacof destacou a necessidade de retomar urgentemente o debate, o que não foi levado a efeito no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), é condição imprescindível para que o País avance.

(Redação - InvestNews)