Japoneses temem que G7 questione suas baixas taxas de juros
Agência EFE
TÓQUIO - A convicção de que a desvalorização do iene é resultado das baixas taxas de juros levará a um questionamento da política monetária japonesa, na reunião financeira do G7 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo), que começa nesta sexta-feira na Alemanha, segundo a previsão de analistas japoneses.
A desvalorizada divisa japonesa continua exercendo um efeito positivo na renda de exportadores como a Toyota, que esta semana anunciou um lucro recorde no trimestre de outubro a dezembro.
A empresa segue sua marcha rumo ao primeiro lugar mundial no setor, atualmente nas mãos da americana General Motors. No último trimestre de 2006, o lucro foi de US$ 250 milhões.
Segundo números do jornal econômico 'Nikkei', a Toyota calculou suas operações de 2006 com uma cotação do dólar a ¥ 110. Como a moeda americana ronda os ¥ 120, a empresa se beneficiou com uma renda de ¥ 220 bilhões (US$ 1,833 bilhão).
A forte demanda de matéria-prima no setor industrial japonês eleva os pedidos e neutraliza a alta das importações provocada pelo iene barato.
Os analistas prevêem indicadores econômicos em alta no Japão. O índice Nikkei deve registrar cinco meses de volatilidade antes de alcançar os 19 mil pontos, um máximo sem precedentes em mais de sete anos, previsto para meados do ano.
O bom desempenho da economia japonesa beneficia os Estados Unidos, principal comprador das exportações japonesas. Na Europa, no entanto, os exportadores sofrem com o encarecimento de seus produtos vendidos ao Japão. O euro se encontra acima dos ¥ 150.
Na reunião de ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais em Essen, a cotação do iene deve ser um ponto importante na agenda.
Os economistas japoneses acreditam que os europeus enfatizarão o papel do Banco do Japão (BOJ, central) na desvalorização da divisa japonesa, e deverão questionar a hesitação na elevação das taxas de juros.
Em meados de 2006, o BOJ encerrou a política monetária de juros quase nulos e elevou a taxa para 0,25%. No mês passado, a previsão era de uma alta para 0,50%. Mas a autoridade monetária argumentou que os preços não tinham subido e que o momento não era propício.
O pretexto mais recente para manter as taxas de juros é o índice de encomendas de maquinaria das empresas, revelado hoje. Houve uma queda de 0,7% em dezembro, sugerindo que não há reaquecimento do investimento corporativo.
