Davos já está preparada à espera do Fórum Econômico

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REUTERS

ZURIQUE (Suíça) - A Força Aérea suíça começou a patrulhar na sexta-feira uma zona fechada sobre o sudeste do país, enquanto até 5.000 soldados se preparam para dar proteção a algumas das pessoas mais influentes do mundo, que se encontrarão na semana que vem na cidade de Davos.

Cerca de 400 soldados se mobilizaram na semana passada para ajudar as autoridades locais, enquanto a polícia também foi colocada de prontidão na Suíça e em países vizinhos.

Nos últimos anos, as ruas de Davos foram fechadas para visitantes comuns, e por isso o local deixou de ser um imã para as manifestações antiglobalização durante o Fórum.

Agora, os organizadores de protestos sugerem que os manifestantes façam snowboard ou esquiem até a cidade, driblando os postos de controle.

As autoridades suíças fazem de tudo para evitar publicidades adversas a Davos e ao país, preferindo uma cobertura voltada para os assuntos discutidos, e não para o movimento nas ruas.

A proteção de cerca de 2.400 empresários e políticos - como os primeiros-ministros Tony Blair (Grã-Bretanha) e Angela Merkel (Alemanha) -- custa cerca de 8 milhões de francos (6,4 milhões de dólares). Três quartos do total saem dos cofres públicos.

O relativo isolamento de Davos, que se intitula "a cidade mais alta da Europa", mais de 1.500 metros acima do nível do mar, faz com que seja mais simples manter manifestantes e potenciais ameaças ao longe, ao contrário do que ocorre em grandes cidades.

A maioria das manifestações contra o Fórum está prevista para sábado, penúltimo dia do encontro (que vai de 24 a 28 de janeiro), quando ocorrerá também uma importante reunião de ministros de Comércio.

Para evitar que sejam parados em barreiras policiais, como em anos anteriores, os manifestantes pretendem se reunir em Zurique na noite de sexta-feira e fazer o percurso de pelo menos 150 quilômetros dividindo-se por vários trajetos.

O NoDemo07, organização que reúne várias ONGs, está incentivando "ações criativas e diretas", como bloqueios em lugares inusuais, postos de informação, teatros de rua, "intervenções absurdas" e concentrações instantâneas.

Outra manifestação está marcada para sábado na cidade de Basiléia, e nos anos anteriores houve protestos, às vezes violentos, em Zurique, na capital Berna e em Landquart, entroncamento ferroviário onde a polícia às vezes barra pessoas com direção a Davos.

Desta vez, talvez os manifestantes não precisem de suas roupas para neve. O clima está excepcionalmente ameno em Davos, como na maior parte dos Alpes. Com a falta de neve, as tradicionais entrevistas ao ar livre, prato cheio para a mídia nesta época, perdem um pouco da sua graça. Na sexta-feira, menos de um terço dos 305 quilômetros de pistas demarcadas em Davos estava fechado por falta de condições para o esqui.