Industriais lesam cofres de MG em R$ 70 milhões
A fraude consistia no abate ilegal de grandes reservas de matas nativas para produção do carvão vegetal e da emissão de notas fiscais falsas referentes ao produto, que era transportado em enormes caminhões para os altos fornos, para a produção de ferro-gusa.
O secretário adjunto da Receita Estadual, Pedro Meneguetti, acredita que a fraude na totalidade desse setor industrial deve corresponder a pelo menos R$ 200 milhões, o que equivale a 20% da produção total de carvão. Caso esse número seja comprovado, o abate clandestino de florestas naturais, a cada ano, seja superior ao da área da capital mineira, já que apenas as quatro empresas flagradas abateram uma área equivalente a 49 mil campos de futebol de dimensões idênticas ao Maracanã.
Ate agora foram detidos 17 pessoas, entre os quais os dirigentes da Indústria Siderúrgica Viana, da Usipar Indústria e Comércio Ltda, VM Fundidos e SBL Indústria e Comércio. Todas as siderúrgicas estão localizadas em municípios a menos de 150 quilômetros em torno de Belo Horizonte, Para se ter uma idéia da dimensão das empresas autuadas, só a Indústria Siderúrgica Viana produz 25 mil toneladas de ferro-gusa por mês, dos quais 70% são destinados ao mercado externo. O carvão vegetal é um produto essencial para a fabricação do ferro gusa e é lançado no alto forno praticamente na mesma quantidade do minério de ferro. Minas Gerais produz cerca de 4 milhões de toneladas anuais de ferro-gusa, número que corresponde a 60% da produção nacional. As quatro empresas autuadas sofrerão intervenção e serão administradas por técnicos indicadas pela Receita estadual
(Durval Guimarães - InvestNews)
