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Resistência dos médicos à tecnologia ainda é relevante

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SÃO PAULO, 20 de dezembro de 2006 - O mercado de prontuário digital no Brasil é incipiente. Dos 6500 hospitais do País, apenas 6% estão informatizados e, embora não existam dados oficiais, os que utilizam os sistemas de prescrição e registros clínicos via web não chegam a 2%. No mundo, aproximadamente 15% dos médicos estão totalmente informatizados. Para Jamil Mattar, Client Services Manager, da TrakHealth na América Latina, custo e cultura são os principais obstáculos para a difusão destes sistemas no País.

A resistência do corpo clínico ainda é relevante. ´Falta informação. Os médicos não têm formação em tecnologia. Nos últimos cinco anos realizamos praticamente um trabalho de catequização. Como vamos apresentar um software sofisticado, com múltiplas funcionalidades, se ele não sabe sequer manipular o mouse?´, ressalta Mattar.

Segundo o executivo, a vaidade destes profissionais e o poder da guarda da informação médica também são fatores contrários. ´Eles se sentem intimidados frente a outros profissionais, como a equipe de enfermagem, quando não sabem manipular o sistema. Muitas vezes, não querem dividir a informação com a própria instituição em que trabalham. Acham que os dados do paciente são deles e que com a tecnologia serão vigiados em seu trabalho´, analisa.

Embora existam dificuldades na implantação, Jamil Mattar acredita que o Brasil evoluiu nos últimos anos. ´Antes vendíamos algo que ninguém usava. Hoje, as instituições de saúde vêem valor na aquisição da tecnologia. Esse valor que antes era esotérico hoje é evidente. O voto eletrônico, o e-gov, o próprio imposto de renda via web ajudaram´, conta.

Para Mattar, mesmo com todas as dificuldades, esse é um movimento sem volta e o hospital não será competitivo sem a tecnologia. ´Os processos clínicos e administrativos ficam muito prejudicados. E, hoje, quem pressiona para a implantação são as operadoras de planos, que querem custos menores e melhor atendimento. E, quem manda hoje no mercado de saúde é a fonte pagadora. Não tem volta´, ressalta.

Comparado a outros países da Europa, Ásia-Pacífico, onde a empresa atua, o Brasil perde por não ter políticas de saúde consistentes. ´Nestes locais, o setor público é muito maior e o governo é mais ativo investindo fortemente em comunidades de saúde para interligar suas unidades de atendimento. Sem contar o próprio poder de pagamento e a qualidade do usuário, que está mais acostumado com a tecnologia´, conclui.

(Kelly de Souza - Especial para InvestNews)