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Cenário externo e opções seguram mercado em baixa

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SÃO PAULO, 18 de dezembro de 2006 - A instabilidade externa e o vencimento de opções sobre ações ditaram o rumo das negociações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). O Ibovespa, que voltou a testar os 44 mil pontos, encerrou em baixa de 0,20%, aos 43.509 pontos. O giro financeiro ficou em R$ 4,82 bilhões, inflado pelo exercício de opções, que movimentou R$ 1,65 bilhão, maior volume do ano.

De acordo com Miguel Daoud, sócio da consultoria Global Financial Advisor, o mercado brasileiro passa por um movimento de exaustão dada a forte valorização registrada neste ano, que está em 30%. Segundo o especialista, os 44 mil pontos representam uma barreira psicológica muito grande e há a possibilidade de o mercado recuar para a faixa dos 42 mil pontos até o final do ano.

Avaliando o cenário para o mercado em 2007, Daoud afirma que o ponto que preocupa é a queda no lucro das empresas. De acordo com o especialista, há um descolamento muito grande entre o ativo e a capacidade de pagar dividendos. "Se houver qualquer sentimento de que a economia mundial pode não crescer em uma velocidade tal que estes ativos possam ser remunerados a altura dos preços que estão hoje, podemos ver um ajuste muito forte", disse.

Daoud chama atenção para elevado patamar da relação Preço/Lucro, que mede o tempo de retorno do investimento, que em alguns casos chega a 50 anos. "Há empresas com P/L satisfatório e muitas que não têm correspondência. No caso de um cenário um pouco mais pessimista isso pode passar por uma correção."

Na visão de Daoud, o mercado passa por um ciclo de forte otimismo, mas nada garante que este cenário vai continuar. "Sou otimista, mas procuro pôr o pé no chão neste momento", disse.

Para Daoud, o que pode dar início à reversão deste ciclo de otimismo é a percepção do mercado de que o ajuste dos desequilíbrios norte-americanos passa pelo aumento dos juros. Tanto uma tentativa de ajuste do déficit em conta-corrente, que beira os 7% do PIB, quanto do déficit fiscal resultaria em aumento de juros, seja pela necessidade de financiamento dos EUA, que consomem cerca de 80% da poupança mundial, ou pela menor liquidez resultante de ajuste nos gastos do país.

No âmbito corporativo, as ações do Pão de Açúcar (PCAR4) seguem refletindo o bom desempenho das vendas em novembro. O papel, que subiu mais de 6% na sexta-feira, registrou alta de 2,24%, para R$ 75,20. Bom desempenho também para a Klabin (KLBN4), que ganhou 3,85%, para R$ 5,49.

Segurando o índice em baixa, as ações da Vale (VALE5) caíram 0,98%, para R$ 53,29. A Petrobras (PETR4) ganhou 0,31%, para R$ 47,40. Pela segunda prévia do Ibovespa, que passa a vigorar em janeiro, os dois papéis seguem como os de maior peso dentro do índice, respondendo por 13,71% e 9,97% da carteira.

As ações ON da Telemar (TNLP3) deram continuidade ao movimento de correção iniciado na sexta-feira, depois que os acionistas não aprovaram o plano de reestruturação proposto pela operadora. As ações caíram mais de 20% na sexta-feira, e encerram o pregão de hoje com baixa de 3,11%, para R$ 56. O papel PN (TNLP4) ganhou 1,13%, para R$ 32,06. A Brasil Telecom Part. ON (BRTP3), que desabou 16% na sessão passada, recuperou parte das perdas avançando 3,75%, para R$ 33,20.

Destaque de alta para a estreante Lopes Consultoria de Imóveis (LPSB3), que disparou 15,8%, para R$ 23,15. Por meio de oferta secundária, o acionista controlador RoseDiamond obteve R$ 412 milhões, com venda de 20,64 milhões de ações ordinárias.

(Eduardo Campos - InvestNews)