☰

BNDES vai financiar expansão da rede

Por

SÃO PAULO, 15 de dezembro de 2006 - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai dar apoio a instituições que queiram operar os programas de microcrédito que contam com recursos do banco, como cooperativas. O BNDES anunciou hoje a aprovação de uma linha de apoio a Projetos de Desenvolvimento Institucional, com recursos não reembolsáveis do fundo social da instituição e dotação orçamentária de R$ 10 milhões.

Segundo o presidente do BNDES, Demian Fiocca, como o BNDES não possui uma rede de agências, ele tem maior dificuldade de atingir um número mais amplo de instituições que trabalham com o microcrédito. A nova linha permitirá ao banco "atingir uma parcela maior de cooperativas no País", disse.

Presente à solenidade, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que os bancos brasileiros não estão acostumados a lidar com os pequenos tomadores. "Isso vale para o BNDES, para o Banco do Brasil, para a Caixa, para os nossos bancos privados, para todo mundo", disse. Marinho emendou a seguir, lembrando que "não é o caso do BNDES porque não tem agências, é um banco de fomento, de desenvolvimento".

"Se os bancos estivessem cumprindo a sua missão de fazer o dinheiro chegar para os pobres, para os pequenos, para quem necessita de mais crédito, não teriam nascido as cooperativas de crédito", afirmou Marinho. "Essa é a verdade nua e crua, por mais que alguém possa gostar ou não", completou.

Marinho afiançou que o Estado brasileiro tem por obrigação trabalhar no sentido de criar um sistema que funcione também para o microcrédito. "O Banco Central não estava acostumado a pensar em regulamentação para atingir esse público. O Banco Central nos deu muito trabalho", falou Marinho.

O ministro enfatizou que "o banco público que não se disponha a seguir a orientação do programa de governo não necessita ser público". Ele disse que o cumprimento de metas sociais que o Ministério do Trabalho vai estabelecer funcionará como parâmetro nas negociações de depósitos especiais do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT) com os bancos públicos.

"O banco público que não colaborar terá dificuldades nas negociações a cada ano a partir de agora", prometeu Luiz Marinho. Ele ressaltou, entretanto, que o BNDES, com a criação da nova linha de fortalecimento das entidades que atuam com microcrédito no Brasil, "ganhou alguns pontos de crédito e está na frente dos demais (bancos)".

Para o ministro, as ações de microcrédito constituem uma das principais oportunidades de oferecer alternativas às famílias pobres que lhes permitam deixar de depender de programas assistenciais do governo. "Trabalhamos todos os dias para diminuir ao tempo a quantidade de famílias que necessitam de um programa assistencial tão forte, como o Fome Zero", disse. "Nós precisamos, e vamos fazer, tirar pessoas do programa Bolsa Família", concluiu.

As informações são da Agência Brasil.

(Redação - InvestNews)