Estrutura de gasto compromete crescimento, diz Kawall

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SÃO PAULO, 5 de dezembro de 2006 - O secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall, afirmou hoje que, se não houver um avanço qualitativo no tipo de estrutura de gastos e tributação, o crescimento maior - a uma base de 5% ao ano - estará comprometido. "Se não avançarmos nesse sentido comprometeremos o crescimento porque o investimento público e privado serão sacrificados", disse durante seminário de Economia da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban).

Desde que ganhou a eleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está fazendo a equipe econômica se debruçar em planos para colocar o Brasil na rota da expansão econômica de 5% já em 2007. A equipe está dividida entre os que defendem maior ajuste com corte de gastos, inclusive reformas na Previdência, e os que acreditam que só a melhora de gestão pode trazer a solução dos problemas fiscais. "O importante é que não nos conformemos com as taxas de crescimento que temos obtido."

Enquanto não indica a direção para a solução do problema, o governo recebe críticas, como a do especialista em contas públicas Raul Velloso que, também presente ao seminário, voltou a afirmar que o governo está prestes a ter um colapso a ponto de comprometer o cumprimento do superávit primário de 4,25% do Produto Internto Bruto (PIB). Isso se nada for feito.

Kawall rebateu dizendo não concordar com esse cenário de inviabilidade previsto por Velloso: "Ao longo dos últimos oito anos, foram inúmeros momentos em que nós tivemos que adotar medidas corretivas na despesa e na tributação para manter a sustentabilidade fiscal. O ano que vem será mais um deles", disse.

No momento em que o Ministério Público está pleiteando aumento do teto salarial, o secretário disse ainda que a contenção das despesas de pessoal é uma parte importante que tem que ser analisada e ter uma política específica para reajustes. "Não devemos mais contar com a inflação como forma de redução do salário real, no setor privado, público, aposentados e pensionistas. Isso é um problema. Devemos ter, de preferência, regras plunianuais para conter o crescimento de despesas com pessoal."

(Simone Cavalcanti - InvestNews)