Ciesp ressalta fraco desempenho da indústria no resultado

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SÃO PAULO, 30 de novembro de 2006 - O diretor do Departamento de Economia do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Antonio Corrêa de Lacerda, ressaltou o fraco desempenho da indústria no terceiro trimestre, demonstrado no resultado do Produto Interno Bruto (PIB) divulgado nesta quinta-feira. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB da indústria avançou 0,6% no terceiro trimestre, em relação ao trimestre anterior, e 3% em comparação com o mesmo período do ano anterior. ´A construção civil residencial está puxando o crescimento do PIB industrial. O ideal seria se verificássemos aumento da indústria também em outros setores´, afirma. A construção civil cresceu 5,5% no terceiro trimestre, de acordo com o IBGE, em relação ao mesmo período do ano passado. Nesta comparação, o PIB brasileiro avançou 3,2%.

Lacerda também destacou nas contas nacionais do terceiro trimestre o início da desaceleração do crescimento do consumo das famílias, mas admitiu o resultado positivo do crescimento dos investimentos.

O Ciesp acredita que o crescimento do PIB em 2006 não chegará a 3%. A previsão oficial do Governo Federal é de aumento de 3,2%. ´O avanço de 3%, que era visto como piso no começo do ano, agora virou teto´, diz Lacerda. Segundo ele, as condições para o desempenho da economia em 2006 já estão dadas. Agora, é hora de criar um cenário para um melhor desempenho em 2007. ´Acreditamos que existe espaço para mudança no próximo governo, apesar de continuarmos com o mesmo presidente. Mas as mudanças precisam ser sinalizadas o mais rápido possível´, afirma Lacerda.

Para ele, as medidas do pacote econômico que estão sendo antecipadas pelo Governo, como a criação de um fundo de financiamento para a infra-estrutura e desoneração tributária para máquinas e equipamentos, ajudam, mas não resolvem a questão principal que tem impedido o crescimento da indústria: a combinação entre o elevado patamar da taxa de juros e a valorização cambial.

(Tatiana Freitas - InvestNews)