Copom reduz taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (31) reduzir de 6,5% para 6% a taxa Selic. A taxa estava estacionada em 6,5% ao ano desde março de 2018 e caiu para 6%. Esta é a maior queda em uma reunião do Copom desde dezembro de 2017.
A redução foi uma decisão unânime. Esse é o menor patamar desde que a Selic passou a ser utilizada como instrumento de política monetária, em 1999.
Comunicado do Copom
Em nota, o Banco Central destacou que o Comitê entende que "a decisão reflete o cenário básico e balanço de riscos para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui o ano-calendário de 2020.
O Copom reitera que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.
O Copom reconhece que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira tem avançado, mas enfatiza que a continuidade desse processo é essencial para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes. Em particular, o Comitê julga que avanços concretos nessa agenda são fundamentais para consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva.
Na avaliação do Copom, a evolução do cenário básico e, em especial, do balanço de riscos prescreve ajuste no grau de estímulo monetário, com redução da taxa Selic em 0,50 ponto percentual. O Comitê avalia que a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo. O Copom enfatiza que a comunicação dessa avaliação não restringe sua próxima decisão e reitera que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação."
Mercado já esperava
Com economia fraca, inflação abaixo da meta e expectativa de queda de juros americanos e europeus, o mercado financeiro já esperava o corte na taxa básica de juros.
Também nesta quarta-feira, o Federal Reserve (Fed), banco central americano, cortou a taxa de juros, para uma faixa de 2 a 2,25%. Foi a primeira redução desde a crise financeira que atingiu o país no final de 2008.
O Copom havia colocado como condição para iniciar um novo ciclo de corte de juros o avanço da reforma da Previdência, que foi aprovada em primeiro turno na Câmara no início deste mês.
Antecipando-se ao BC brasileiro, a Caixa anunciou mais cedo um novo corte nos juros em linhas para pessoas físicas e empresas.
Também nesta quarta, o presidente Jair Bolsonaro afirmou estar torcendo por um corte de juros, mas disse que não iria influenciar na decisão. "Não sou o 'Dilmo' de calça comprida", disse.
Redução da taxa Selic vai na direção correta, avalia Firjan
Em nota divulgada após a divulgação da redução da taxa Selic, a Firjan destacou que acredita que a medida vai na "direção correta", estimulando o crescimento econômico sem correr o risco de perder o controle da inflação. "Vale destacar que o baixo desempenho da economia brasileira, refletido na elevada capacidade ociosa das empresas e na alta taxa de desemprego, associado a um cenário externo favorável, com redução dos juros nas principais economias globais, atuam no sentido de aliviar as pressões sobre a inflação e suas expectativas, que seguem dentro da meta estabelecida. Além disso, a aprovação da reforma da Previdência no primeiro turno na Câmara é um grande passo para redução do risco fiscal da economia brasileira", diz a nota, prosseguindo: "No entanto, a Firjan reitera a necessidade da concretização da reforma previdenciária e ressalta a importância da inclusão de estados e municípios. A materialização dessas medidas e a permanente atuação responsável e transparente do Banco Central são fundamentais para a ancoragem das expectativas de inflação e a retomada sustentável do crescimento."
Com Folhapress
