Cade aprova comprada Fox pela Disney
Compradora terá que vender a Fox Sports, mas não para Globosat, dona da SportTV
Brasília - O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou ontem a compra da Fox pela Disney, mas condicionou o aval à venda da Fox Sports pelo grupo. Em acordo firmado com o Cade, a Disney se comprometeu a se desfazer dos ativos em regime de "porteira fechada" a um mesmo comprador, ou seja, em um pacote que inclui desde imóveis e equipamentos a contratos com ligas esportivas, como Libertadores da América e Copa Sul-Americana. A empresa terá que repassar ainda direitos esportivos, contratos com operadoras e funcionários e licenciar, gratuitamente, a marca Fox.
O entendimento do Cade é que a compra da Fox pela Disney representaria um risco para a concorrência no mercado de canais esportivos. A empresa ficaria com dois dos três principais canais - ESPN, da Disney, e Fox Sports, da Fox - concorrendo apenas com a SporTV, da Globosat. "A aprovação da operação representaria na prática um duopólio que teria 95% do mercado", afirmou o conselheiro Paulo Burnier.
A venda não poderá ser feita para o grupo Globosat, dona dos canais SportTV, líder neste mercado. De acordo com o conselheiro Paulo Burnier, o Cade tomou a decisão em contato com o México, que divulgou ontem a aprovação da operação condicionada à venda da Fox Sports, o que também foi determinado pelas autoridades antitruste dos EUA e União Europeia.
Com isso, Burnier ressaltou que a venda da Fox Sports pode ocorrer "globalmente", para um mesmo comprador em vários países. Durante a análise, o Cade fez uma sondagem com concorrentes e identificou compradores interessados em adquirir os canais Fox Sports. O acordo com o Cade inclui ainda a proibição de que a Disney participe de concorrências para a contratação de ligas esportivas por tempo determinado, que não foi divulgado.
A aprovação da operação condicionada à venda do canal esportivo recebeu quatro votos favoráveis e dois contrários. Relatora do processo, a conselheira Polyanna Vilanova votou pela aprovação da operação com a exigência apenas de "remédios comportamentais" que incluíam a prorrogação de contratos com pequenas e médias operadoras de TV e a oferta dos canais para essas empresas nas mesmas condições e preços negociados com as operadoras maiores.
A Disney anunciou a compra da Fox em dezembro de 2018, em um negócio avaliado em mais de US$ 70 bilhões. Em dezembro, a superintendência-geral do Cade já havia recomendado ao tribunal do órgão que impusesse restrições ao negócio por entender, justamente, que a operação causa aumento significativo na concentração no mercado de canais esportivos.
A superintendência considerou que tal concentração seria preocupante, com potencial de reduzir a qualidade e diversidade do conteúdo esportivo disponível, além de aumentar custos que poderiam ser repassados aos consumidores. "Atualmente, apenas um concorrente de grande audiência é capaz de rivalizar com esses canais e não há previsão, nos próximos anos, de novas entradas nesse segmento. Além disso, ESPN e Fox Sports são hoje os concorrentes mais próximos na distribuição de conteúdo esportivo internacional", afirmou o parecer na época.
Serviço de vídeo em streaming
Ainda ontem, os grupos de televisão britânicos BBC e ITV anunciaram a intenção de lançar um serviço de vídeo em streaming no Reino Unido no segundo semestre de 2019 para enfrentar a concorrência de plataformas americanas como a Netflix.
A plataforma terá o nome BritBox e oferecerá programas já exibidos e séries inéditas, informaram a BBC, emissora pública, e a ITV, canal privado fundado em 1955 para competir com a BBC, em um comunicado. BBC e ITV não revelaram o preço do serviço e indicaram que outros sócios podem entrar no projeto.(Estadão Conteúdo)
