Menor crescimento na Europa em 2019
UE e BoE cortam previsão de PIB da zona do euro e do Reino Unido
BRUXELAS - A Comissão Europeia e o Banco da Inglaterra (BoE) reduziram ontem as previsões de crescimento para 2019 na zona do euro e no Reino Unido, em um contexto de incerteza em torno do Brexit e de desaceleração da economia mundial.
Esta desaceleração de deve, em grande parte, a fatores externos, como “a grande incerteza a respeito das políticas comerciais, especialmente (a disputa) entre Estados Unidos e China”, declarou o comissário europeu de Assuntos Econômicos, Piere Moscovici, durante coletiva de imprensa em Bruxelas. Mas também há fatores internos na zona do euro, “como a desaceleração da produção de automóveis na Alemanha, a forte incerteza sobre a política fiscal da Itália e as tensões sociais na França”, acrescentou Moscovici.
O órgão executivo da União Europeia (UE) prevê agora um crescimento de 1,3% no conjunto dos 19 países que compartilham a moeda única em 2019, em vez de 1,9% de seu relatório de novembro passado. Em 2018, o PIB teria crescido 1,9%, segundo as previsões anunciadas ontem. Mas a correção é menos drástica para 2020, quando se prevê expansão de 1,6%, frente ao 1,7% estimado anteriormente.
Por muito tempo considerada motor econômico da zona do euro, a Alemanha foi particularmente afetada pela entrada em vigor da nova normativa europeia contra a poluição, que desestabilizou as cadeias de produção de várias fabricantes automotivas. Em consequência disso, a Comissão Europeia prevê agora crescimento de 1,1% do país em 2019, contra o 1,8% esperado anteriormente. Contudo, para Moscovici, a desaceleração para 2019 é algo “temporário”, destacando a boa situação do mercado de trabalho no país.
Na Itália, que entrou em recessão no segundo semestre de 2018, com dois trimestres consecutivos de redução do crescimento, a Comissão Europeia espera para 2019 um aumento do PIB de apenas 0,2%, frente ao 1,2% previsto em novembro. Trata-se de uma desaceleração severa em comparação a 2018, quando a Itália registrou expansão de 1%.
Para o PIB da França, é esperado um crescimento de 1,3%, em vez do 1,6% da previsão anterior. Já a Espanha, quarta maior economia da zona do euro, continua a liderar expansão entre as principais economias, com estimativa de alta de 2,1% em 2019 - uma redução de um décimo em relação à previsão anterior.
Preocupação com o Brexit
Na Inglaterra, o BoE também reduziu suas previsões de crescimento para 2019 e 2020 a 1,2% e 1,5%, respectivamente, contra 1,7% previstos para os dois anos em novembro passado. A instituição surpreendentemente ao não elevar ontem sua taxa básica de juros, votando unanimemente por mantê-la em 0,75%. O BoE continuou a expressar sua preocupação com o Brexit, que já provocou uma desaceleração do crescimento em 2018.
Seu presidente, Mark Carney, considera que a economia britânica “ainda não está preparada” para um Brexit sem acordo. “Embora muitas empresas tenham intensificado seus preparativos, a economia britânica em seu conjunto ainda não está pronta para uma saída sem acordo e sem transição”, declarou Carney.
As negociações entre Londres e Bruxelas sobre as modalidades do Brexit estão travadas e, teoricamente, o Reino Unido poderia deixar o bloco em 29 de março sem um acordo de transição - uma partida abrupta muito temida pelo setor financeiro.
