Editorial
Não admitir o erro é o caminho para repeti-lo
NO SISTEMA centralizado e concentrado inteiramente com o Ministério da Educação em que se desenvolve o Exame Nacionaldo EnsinoMédio (Enem), a chance de se perce- ber e corrigir um erro é grande – afinal,é um órgãosó fisca- lizando, e erros acontecem. Mas a postura do MEC, inflada pelas declaraçõesimpensa- das do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de não reconhe- cero erro,defingir quenada aconteceue nãoressarciros prejuízos de quem os teve é o caminhomais curtoparaque no ano quevem tenhamos mais confusão. O Enem é um sistema de ava- liaçãoque ganhougrandere- conhecimento do meio acadê- mico, e hoje vale como acesso ao ensino superior para várias e conceituadasinstituições. Quandoocorre umproblema dessa magnitude – logo com as
feiçoá-lo, especialmenteno quesito da operacionalidade. Emum examecommais de3 milhões de cópias, realizado na mesmahoraem umpaísdedi- mensões continentais, em cerca de 180mil salasde aula,ocu- padas por mais de 3,4 milhões de alunos – uma gigantesca má- quina posta para funcionar por provas, simplesmenteo prin- cipal produto físico que chega aosestudantes– éaocasião perfeita para os mal-intencio- nados passarem a questionar o sistema em si. Não éo caso deduvidar da eficiência deum métodoapro- vado por quem entende de edu- cação. É preciso “apenas” aper- um único órgão público – a chan- cedehaver umproblemarele- vante chega a ser previsível. E não é a primeira vez que há confusão, infelizmente, para os estudantes e as instituições de ensino envolvidas. Já houve outrasedições comcasosde furto de provas e vazamento de informações por parte de alu- nos. É verdade que, nestes ca- sos, trata-se de crime, e não se podeatribuir aoMEC ares- ponsabilidade. Mas a repeti- ção de incidentes acaba jogan- do os ingredientes da crise no mesmo liquidificador. Não é novidade para ninguém que o partido do governo é cen- tralizador. Mas em outros tem- pos era de seufeitio fazer as fa- mosas autocríticas. Admita-se o erro, estude-se a melhor maneira de corrigi-lo, e depure-se o nível dos responsáveis pelo Enem, pa- raque nãosedestrua umabela iniciativa na educação.
O Enem é avalizado por quem entende de educação, e não pode se perder pelos erros
