Tito Marcelo lança o terceiro álbum, 'O futuro ligeiro da demora'
Trabalho tem 11 músicas inéditas e autorais formatadas pelo produtor André Vasconcellos
O futuro nunca pareceu tão certo e ao mesmo tempo tão deliciosamente incerto para Tito Marcelo. Morando na cidade do Rio de Janeiro (RJ) desde dezembro de 2015, o cantor, compositor e músico de origem pernambucana – nascido no Recife (PE) em dezembro de 1974, mas criado musicalmente em Brasília (DF) – está lançando o terceiro álbum. 'O futuro ligeiro da demora' abrange no repertório inteiramente inédito e autoral as quatro estações existenciais do amor e da vida.
A certeza vem do fato de que o futuro está na música. A incerteza é reflexo da virada dada pelo artista na vida. Analista de sistemas que descobriu a arte de fazer música quase casualmente, Tito Marcelo deixou o emprego na informática e a vida empresarial para trás para dedicar-se exclusivamente à música. Aos 41 anos, o artista inicia ciclo com a edição independente do disco produzido pelo baixista André Vasconcellos e gravado com músicos conceituados como o percussionista Marcos Suzano.
No Recife (PE) e em Brasília (DF), Tito Marcelo já é razoavelmente conhecido no meio musical, já tendo inclusive público pequeno, mas fiel, na cidade natal. Contudo, o álbum 'O futuro ligeiro' da demora tem para o artista – e certamente para o chamado grande público – o status de um disco de estreia. Tudo parece novo e é novo, porque os dois álbuns anteriores do artista – lançados em 2011 e 2014 – foram ouvidos em círculo restrito de antenados admiradores.
'O futuro ligeiro da demora' é o resultado do mergulho cada vez mais profundo de Tito Marcelo na arte de fazer música. Mergulho dado pela primeira vez em 2010. Tito curtia férias na cidade natal quando, após ler reportagem sobre os 10 anos de carreira do grupo pernambucano Mombojó, Tito fechou o jornal, decidido a compor uma música. E a fez no celular.
Nasceu ali um talento para criar melodias e letras que logo desabrochou em ritmo veloz. Em três meses, Tito já havia feito cerca de 20 músicas. As safras foram se sucedendo, com facilidade cada vez maior, e geraram os dois primeiros álbuns formatados por Renato Fonseca, pianista do Recife (PE).
Já a safra de O futuro ligeiro da demora é recente, tendo nascido – composta entre 2015 e o primeiro semestre deste ano de 2016 - da incessante capacidade do artista de fazer música. De nada menos do que 31 músicas compostas para o álbum, onze foram selecionadas pelo artista com o produtor André Vasconcellos.
Sim, artista. “Hoje eu me aceito como artista. E tenho prazer no ofício de compor. Eu me sinto compositor. O lugar onde eu fico mais confortável é compondo. E a minha missão é mostrar minha música. Se o ouvinte vai gostar ou não, isso já não é da minha alçada”, delimita Tito Marcelo, com o sentimento dos verdadeiros artistas. Acordar, pegar um violão e dele tirar uma melodia ou letra – às vezes, tudo ao mesmo tempo agora – já é um fato rotineiro na vida do ás da informática que trocou a linguagem dos computadores pelas cifras e notas musicais.
Ouvintes atentos do álbum 'O futuro ligeiro da demora' vão identificar um compositor de identidade própria – delineada entre referências de ídolos como Luiz Gonzaga (1912 – 1989), Djavan, Bob Marley (1945 – 1981), Legião Urbana, Lenine, Michael Jackson (1958 – 2009) e Titãs – e um cantor eficiente na apresentação do cancioneiro autoral. Um repertório que ganhou nuances ao longo do processo de produção capitaneado por André Vasconcellos – músico presente na obra fonográfica de Tito Marcelo desde o primeiro disco – sob a supervisão atenta do artista.
A fina sintonia entre produtor e o compositor/cantor fez o trabalho fluir e ficar com a cara da obra de Tito Marcelo. “Nada mais importa para o André Vasconcellos do que a canção. Ele é um grande conhecedor de harmonia e sabe chamar as pessoas certas para preservar a estrutura das canções”, elogia Tito. Entre as “pessoas certas” arregimentadas pelo produtor André Vasconcellos para a gravação do trabalho, estão – além do já mencionado Marcos Suzano (já reverenciado como um dos melhores percussionistas de todos os tempos) – estão o guitarrista Torcuato Mariano, o trompetista Jessé Sadoc, o baterista João Viana, o tecladista Glauton Campello e o saxofonista Marcelo Martins, entre outros virtuoses.
Comandados no estúdio por André Vasconcellos, este time de virtuoses pôs em prática a ideia do produtor de aliar o poder melódico das músicas de Tito Marcelo à modernidade eletrônica, sem macular a arquitetura das canções. O resultado é uma sonoridade que bebe na fonte da música da década de 1980. Sim, o álbum O futuro ligeiro da demora evoca em algumas faixas um passado glorioso da música brasileira e mundial. Sem deixar de soar contemporâneo. É a estética do passado filtrada pelo sentimento do presente.
