Pesquisa mapeia perfil cultural do carioca

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O Rio de Janeiro conta com inúmeras opções de lazer espalhadas pela cidade, que vão desde eventos gratuitos até produções grandiosas. Quem acessa essas produções? De que maneira? Usufruem no seu próprio bairro ou se deslocam para outros locais? Qual é o impacto das novas tecnologias no cotidiano cultural da cidade? Estas e outras questões foram levantadas pela pesquisa que traçou o perfil cultural dos cariocas e foi apresentada nos dias 1 e 2 de junho no Memorial Municipal Getúlio Vargas. Com patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura, a pesquisa foi realizada pela JLeiva Cultura & Esporte em conjunto com a empresa O Baile e levada a campo pelo Instituto Datafolha.  

A pesquisa identificou o percentual de pessoas que foram a diversas manifestações culturais no último ano, há mais de um ano e também as que nunca tiveram a oportunidade de ir ao cinema, ao teatro, a museus, etc. Para a avaliação foram ouvidas 1.537 pessoas com faixa etária a partir de 12 anos, em pontos de grande fluxo populacional da cidade, entre os dias 21 de janeiro e 6 de fevereiro de 2015, com base em um questionário com cerca de 60 perguntas. A amostra segue os dados do IBGE (CENSO 2010) e o critério de classificação econômica Brasil, com margem de erro de 3% (para mais ou para menos).  Os resultados mostram que a atividade cultural mais praticada fora de casa é o cinema, com 68% dos moradores indo ao cinema nos últimos 12 meses. Na sequência, aparecem os shows musicais, com 52%, e as festas populares com 50%. As demais atividades tiveram todas percentuais inferiores a 40%: 35% foram a bibliotecas, 31% a museus, 31% a teatros, 21% a espetáculos de dança, 15% ao circo, 12% a saraus e 9% a um concerto de música clássica.Um dado interessante apontado pelo estudo é que em tempos de Facebook , Twitter e diversas redes sociais, o boca a boca ainda é a melhor ferramenta para divulgar a atividade cultural. Seguido do que é visto pela televisão e pelo que se encontra na internet, rádios e jornais, empatados em terceiro lugar. 

Uma observação importante neste mesmo item vai ao encontro da mudança de hábitos nos dias de hoje: os meios digitais ultrapassam todos os veículos tradicionais, inclusive a TV. Em outro recorte, utilizando uma população acima dos 45 anos, a TV lidera junto com o boca a boca. Já na população jovem (até 24 anos) o digital lidera com uma margem bem ampla, deixando a TV muito para trás e ficando, inclusive, à frente do boca a boca.Entre as pessoas com ensino superior, apenas 5% nunca foram ao teatro e 6% nunca foram a um museu. Se considerarmos os moradores com ensino médio, esses percentuais sobem para 28% e 21%, respectivamente. Mas entre os que têm apenas ensino fundamental, a exclusão é bem maior: chega a 53% no caso do teatro e 45% no caso dos museus.Há também a exclusão por faixa etária, onde as práticas culturais perdem força conforme a população envelhece. Para quem tem mais de 60 anos, a exclusão chega ao patamar de 14% para no caso do cinema, e em se tratando em teatro e museus, o percentual é maior: 40% e 36%, respectivamente. Em todos os segmentos listados pelo estudo, o público que não tem filhos é o que mais acessa as atividades culturais.

Quando a análise busca as razões pelas quais parte dos moradores do Rio não vão ao teatro, a museus ou ao cinema, o motivo que aparece com mais força é o desinteresse. Os motivos financeiros vêm em seguida. Outras razões apontadas são a falta de tempo, a ausência de equipamentos perto de casa e, no caso do cinema, a possibilidade de se assistir aos filmes em casa. O público que utiliza os equipamentos enxerga mais o que acontece em seu bairro e nas adjacências, fazendo uso cultural do que lá existe.