Festival de Berlim relembra River Phoenix
Diretor fala a respeito do último filme em que o ator participou
Dark blood, de George Sluizer, coprodução EUA / Reino Unido / Holanda foi mostrado nesta quinta-feira (14) na 63ª edição do Festival de Berlim, numa prévia para a imprensa, seguida da noite de gala no Palácio de Festivais.
O filme é o último trabalho de River Phoenix. Devido a isso e também ao estado de saúde do diretor, a sessão teve um clima de tristeza e lembranças.
O filme – que está na mostra oficial fora de concurso – é um suspense iniciado em 1993, que teve a produção paralisada por 17 anos, devido à morte prematura de Phoenix, aos 23 anos, de ataque cardíaco, em decorrência de uma overdose.
Sluizer, que tem 80 anos, sofreu recentemente um aneurisma e, segundo os médicos, não deve ter muito tempo de vida. Após vários problemas na produção, ele resolveu retomar as filmagens, concluiu o filme e o lançou no final do ano passado num festival na Holanda.
Phoenix interpreta um jovem viúvo que vive sozinho em um deserto de Utah, após a morte de sua esposa, provocada por um câncer ocasionado pelos testes nucleares. Em meio a sua solidão e amargura, um dia ele socorre um casal, em lua de mel, que está com o carro quebrado. Ao se apaixonar pela recém-casada, resolve sequestrá-la. Judy Davis e Jonathan Pryce interpretam o casal.
Após a morte
Na coletiva após a projeção – da qual participou o Jornal do Brasil – o diretor narrou o que aconteceu após a morte de Phoenix.
“Quando River morreu, eu tinha feito 81% do filme, mas tudo que tinha a ver com a produção parou. Como a produtora fez seguro contra esse tipo de desastre, eles pegaram o dinheiro e o filme ficou com a seguradora”, contou.
Em 2000, a seguradora concluiu que o filme não tinha valor para ela e decidiu destruí-lo. Sluizer soube, numa quarta feira, que isso aconteceria na sexta seguinte.
“Eu não tinha direitos sobre os negativos – não era produtor – mas conhecia algumas pessoas em Los Angeles. Na noite antes do filme ser destruído, eu consegui resgatá-lo. Embora alguns achem que eu roubei o filme, do meu ponto de vista, eu o "salvei”, afirmou, e explica porque decidiu concluí-lo.
“Há cerca de quatro anos, repentinamente eu fiquei muito doente. Tive um aneurisma e me disseram que meus anos poderiam estar contados. Eu sempre quis terminar o filme e isso se transformou em uma urgência para mim. Mas eu também sabia que ainda havia um bom material”, ressalvou.
Indagado sobre as dificuldades que precisou enfrentar para terminar o filme, Sluizer que está de muletas, confirmou que foi muito difícil.
“Além dos problemas óbvios e visíveis, eu precisei ser muito criativo. Até porque, quando a produção parou ainda havia muito coisa a fazer, como a música, por exemplo. Na ocasião, eu ouvi a música de Florencia de Concilio, ela é uruguaia e embora não possa andar direito, eu viajei para lá e consegui convencê-la”, contou. Em seguida discorreu sobre a questão legal da produção:
“Eu tenho os direitos sobre a cópia do filme e estou autorizado a mostrá-la, desde que nenhuma renda seja gerada. Mas os direitos sobre os negativos ainda não estão resolvidos, espero resolvê-los logo. River e a empresa de seguros são da Califórnia, a empresa de produção é britânica e eu sou da Holanda, são três legislações diferentes e três conjuntos de leis de direitos autorais, então é difícil de solucionar”, detalhou.
A fisionomia de Sluizer fica mais serena quando fala de sua relação com Phoenix. “River era amigável, profissional e tivemos um tempo muito agradável trabalhando juntos”, relembra.
