Crítica: "O impossível"
O diretor espanhol Juan Antonio Bayona decidiu concluir 2012 colocando fim num hiato de quase 5 anos afastado do cinema. E parece que será um fim comemorado. Seu novo filme, orçado em aproximadamente 30 milhões de euros, faturou 130% disso apenas no final de semana de estreia na Espanha, em outubro. De lá pra cá o longa veio conquistando fama e chega nas telas brasileiras com uma campanha que faz frente a qualquer produção Hollywoodiana.
O impossível conta a história verídica de um casal, Maria (Naomi Watts, J. Edgar, King Kong) e Henry (Ewan McGregor, Os Homens que Encaravam Cabras, Moulin Rouge), que resolveu passar férias na Tailândia e vivenciou o pior desastre natural do novo século: o tsunami da Indonésia. Hospedados com os três filhos pequenos num resort, eles sobrevivem à onda, mas se perdem um do outro, o que acaba forçando-os a tomar caminhos diferentes para tentar se salvar. Nessa tentativa, além de cuidar de seus próprios ferimentos, eles procuram meios de continuar acreditando que sua família ainda está viva.
Com uma pegada que preza muito mais pelo lado humano dos personagens, o espectador é convidado a mergulhar profundamente no desespero do evento e presenciar a calamidade que tomou conta da costa da Tailândia em dezembro de 2004. Acompanha-se, mais do que a história de Maria e Henry, a luta de pais, mães, filhos e parentes em geral para achar os seus e acabar com um pesadelo.
Para uma retomada na direção de cinema, Bayona se impôs desafios consideráveis nessa nova produção. Sua maior conquista, inegavelmente, é trazer à tela uma fotografia crua do desespero que tomou conta do lugar. Outra, de caráter mais técnico, é assinar um filme extremamente bem filmado, ainda que composto por cenas que possuem logística bastante complexas - envolvendo, por exemplo, planos sequencia longos, cenas caóticas com uma quantidade altíssima de atores e trabalho minucioso na reconstituição de destroços e terrenos pantanosos.
Como fato que sublinha o sucesso na narrativa sensorial do filme, há que se pontuar o primor da fotografia de Óscar Faura, que, instigante, faz o espectador sentir de maneira mais abstrata e menos racional a aflição pela qual passam os personagens. Impossível também não destacar o trabalho de Naomi Watts, Ewan McGregor e do novato e promissor Tom Holland, que desenham personagens muito sutis, deixando a maior parte possível da humanidade de mãe, pai e filho/irmão a mostra. Num filme onde os personagens atuam como descortinadores da calamidade daquele evento é exatamente essa sutileza que faz o filme brilhar.
Eis a mais forte essência do filme: Antes de tratar de Maria e Henry, ele fala da esperança e da luta de pessoas envolvidas num evento que matou cerca de duzentas mil pessoas em 2004. Como diz o próprio subtítulo: "Nada é mais poderoso do que o espírito humano". E não é mesmo!
Cotação: *** (Ótimo)
