Aos 88 anos, morre o escritor Lêdo Ivo
Ele passou mal quando almoçava em restaurante na Espanha
Na madrugada deste domingo, morreu de infarto na Espanha o escritor Lêdo Ivo, aos 88 anos. Ele almoçava em um restaurante em Sevilha quando passou mal.
O escritor seguiu até o hotel, onde recebeu atendimento médico, mas não resistiu e acabou morrendo antes de chegar ao hospital.
Lêdo Ivo nasceu em Maceió, em fevereiro de 1924. Poeta, romancista, contista, cronista, jornalista e ensaísta, ele foi eleito em 1986 para ocupar a cadeira número 10 da Academia Brasileira de Letras.
Segue abaixo trecho de seu discurso de posse na Academia Brasileira de Letras, no dia 13 de novembro, quando sucedeu Orígenes Lessa:
"Numa tarde de outono, um homem caminha pelas ruas de Londres. O frio e o vento o obrigam a encolher-se no seu sobretudo. Sozinho e desconhecido na metrópole que Verlaine comparou à Babilônia, esse homem é um exilado, expulso de sua pátria por um caudilho taciturno. E enquanto ele marcha entre as folhas que caem, em seu espírito flui a interminável reflexão sobre o seu país que, no outro lado do oceano, vive as turbulências do dissídio e do desencontro.Esta é a imagem que me ocorre de Rui Barbosa, o fundador da Cadeira nº 10: a do exilado."
Entre suas obras mais populares estão A cidade e os dias, Curral de peixe, Plenilúnio e o infantil A história da tartaruga. O escritor alagoano deixou 27 obras de poesia, 17 antologias, cinco romances, cinco livros de contos, três crônicas, 14 ensaios, duas autobiografias, quatro livros infantis, cinco livros traduzidos e oito condecorações. Lêdo Ivo foi ainda tema de oito livros publicados.
Considerado uma das figuras de maior destaque na moderna literatura brasileira, a poesia foi o que Ivo deixou de melhor. Seu romance Ninho de cobras (1973) foi traduzido para o inglês, sob o título “Snakes’ Nest”, e ainda para o dinamarquês (Slangeboet). Foram publicados no México várias coletâneas de seus poemas, entre elas La imaginaria ventana abierta, Oda al crepúsculo”, Las pistas e las islas inacabadas”. Em Lima, Peru, foi editada a antologia Poemas, e, na Espanha, La moneda perdida. No México, também saíram várias coletâneas de seus poemas, entre elas La imaginaria ventana abierta, Oda al crepúsculo, Las pistas e Las islas inacabadas.
