Mauricio Einhorn comemora 80 anos com show no Teatro Vanucci
O Teatro Vanucci realizará na terça-feira (29) o evento Concerto Instrumental de Harmônica de Boca, no qual se comemorará os 80 anos do músico e gaitista Maurício Einhorn. O repertório do espetáculo terá por base músicas de autoria de Mauricio - "Tristeza de nós dois", "Batida diferente" e "Estamos aí" -, além de "clássicos" do nosso cancioneiro e "standards" da música norte-americana.
Juntam-se ao gaitista Alberto Chimeli (piano), Luiz Alves (contrabaixo) e João Cortez (bateria), bem como os convidados Idriss Boudrioua (sax)e Chiquito Braga (guitarra). O show acontece às 20h e os ingressos, disponíveis na bilheteria e na Internet, custam R$ 50 e R$ 25 (meia-entrada).
Histórico
Filho de imigrantes poloneses gaitistas, começou a tocar gaita de boca aos cinco anos de idade. A constância do músico com referência ao instrumento foi tanta que, já aos 10 anos, Einhorn começou a participar dos renomados programas radiofônicos de calouros da época, tais como “A Hora do Pato” e “Papel Carbono” (na Rádio Nacional); e mesmo o programa de Ary Barroso e das Gaitas Hering na Rádio Tupi, ao lado de Fred Williams e outros.
Ainda adolescente, tocou em duos, trios e quartetos, sendo que no início dos anos 50 introduziu-se nas linguagens dos estilos jazz e choro. Sua primeira gravação foi em 1952, quando, na música “Portate bien”, solou com um conjunto de gaitas 'Brazilian Rascals'. Apresentou-se com Waldir Azevedo e seu Regional na Rádio Clube do Brasil.
Por volta de 1955, no Hotel América, já extinto, em frente ao Clube Hebraica conheceu Durval Ferreira durante um baile. A primeira música dos dois, Sambop, foi gravada em 1959 por Claudete Soares no LP Nova Geração em Rítmo de Samba, em que fez participação. Depois vieram: "Estamos aí" (com Durval Ferreira e Regina Werneck) gravada por Leny Andrade; Tristeza de nós dois ( com Durval Ferreira e Bebeto); Batida Diferente, Nuvem e Clichê (todas com Durval Ferreira), SamBlues (com Durval Ferreira e Regina Werneck) e muitas outras. Tocou com Vitor Assis Brasil em 1975 e atuou em várias gravações de Chico Buarque, Claudete Soares, Gilberto Gil e muitos outros. Participou das trilhas sonoras de diversos filmes. Teve também destaque na bossa nova, movimento cuja influência mudou os rumos da MPB.
Na década de 1960, em 1968, participou do Festival Internacional da Canção (da Rede Globo de Televisão) junto com o gaitista Toots, como também no festival da Rede Record de Televisão. Em 1972, a convite do músico brasileiro Sérgio Mendes, residente nos Estados Unidos, foi para esse país, e chegou a tocar com famosos expoentes do jazz: Jim Hall, guitarrista; Ron Carter, contrabaixista; e o já mencionado gaitista, Toots Thielemans.
Com seu amigos, os pianistas brasileiros Eumir Deodato e João Donato, gravou o célebre disco “Donato/Deodato”. Em dezembro de 1972 retornou ao Brasil. Em 1973, gravou um compacto cujo tema foi o filme “O Último Tango em Paris” (na gravadora Tapecar).
Também lançou o LP de trilhas sonoras, “The Oscar Winners”. Em 1975, gravou para o selo Phillips um LP que deveria ter sido o primeiro a aparecer com o seu nome mas que, por razões comerciais, foi batizado com o nome "A Era de Ouro do Cinema". Em 1976, fez parceria com o violonista Sebastião Tapajós.
Em 1979, saiu o primeiro LP em seu nome, pela etiqueta Clam. Lançou outros discos em 1984 e 1985 pela Interdisc na Argentina. Em 1993, apresentou-se no SESC Pompéia em São Paulo de onde foram gravados as faixas para o seu quarto disco, pela etiqueta Tom Brasil.
Em 1996 gravou o CD "Os Solistas" ao vivo com Sebastião Tapajós, Gilson Peranzetta e Paulinho Nogueira depois, relançado pela Moviedisc. Em 1996 gravou novamente com Sebastião Tapajós, Gilson Peranzetta e Altamiro Carrilho o CD independente "Nas águas do Brasil".
Mostrou seu grande talento, técnica e criatividade na arte do uso da gaita em várias fases da história musical no Brasil, da MPB (música popular brasileira), os anos áureos do rádio, bossa nova, os grandes festivais, aos dias de hoje.
Com mais de 62 anos de carreira, ainda leciona atualmente. Costuma passar mais prática do que teoria em suas aulas. O músico é amigo do belga Toots Thielemans, tido como o melhor gaitista do mundo. A opinião de ambos é de que, para se aprender a tocar o instrumento, mesmo que não em nível profissional, é necessário dedicar pelo menos uma hora do dia, “inclusive sábado, domingo e feriado.”
No decorrer de sua carreira, o músico gravou com grandes astros da MPB, tais como Elizeth Cardoso, Maria Bethânia, Hermeto Pascoal, Chico Buarque, entre outros.
Consta do seu repertório a composição de mais de 400 músicas, das quais 40 foram gravadas. E ainda continua na ativa. Da sua lista de alunos constam: Gabriel Grossi, brasiliense, e hoje integrante do grupo cujo líder é Hamilton de Holanda, Hélio Rocha, professor de gaita da Escola de Música de Brasília; Leonardo Medeiros, gaitista desde 1999 entre outros.
O músico já marcou presença em Brasília por diversas vezes, inclusive, no início da década de 80, na Granja do Torto, residência oficial de Presidentes da República brasileiros, onde tocou em duo com o então Presidente Figueiredo, que era “gaitista amador”. Ele presenteou o Presidente com uma gaita, que, por sua vez, havia recebido de presente do famoso gaitista Toots Thielemans. A última apresentação na capital foi no Clube do Choro, por sugestão de Gabriel Grossi, no contexto de um projeto em homenagem a Waldir Azevedo. Além disso, a Escola de Música de Brasília também já desfrutou do enorme conhecimento do mestre.
