Hit do carnaval baiano anima público no Conexão Vivo em MG
O festival Conexão Vivo chegou ao terceiro dia de shows de sua segunda semana em Belo Horizonte, neste sábado (19). Após duas noites com atrações do quilate de Criolo e BNegão & os Seletores de Frequência, o sábado reservava um line-up com boas apostas e um sucesso do Carnaval de 2012. Mesmo com a concorrência do primeiro show da turnê de 15 anos do Los Hermanos na cidade, o Parque Municipal registrou bom público, que aproveitou, além dos shows, as barracas de comidas variadas.
A primeira atração a subir ao palco foi A Banda de Joseph Tourton. Os pernambucanos fazem parte de uma nova e jovem geração, junto com nomes como o ótimo Nuda, que cada vez mais se afasta das influências do mangue beat e dos anos 90. Ainda assim, eles trazem fortes traços do samba mezzo punk acelerado do Mombojó em diversos momentos da apresentação. Com um disco homônimo já lançado e poucos anos de estrada, a banda tem adicionado peso e vigor a suas performances. São um dos bons nomes da grande leva de bandas instrumentais surgidas nos últimos anos no independente brasileiro.
Com um vestido vermelho reluzente, a paraense Juliana Sinimbu deu continuidade às apresentações. Na edição do Conexão Vivo em sua terra natal no ano passado, Juliana teve a participação especial de Pinduca, o grande mestre do carimbó e foi um dos destaques do festival. É justamente quando aposta nos ritmos regionais de seu estado - além do carimbó, notadamente a lambada - que a cantora acerta na sua performance, como na boa Simpatia. Porém, a cantora ainda possui em seus repertório algumas canções muito próximas da MPB tradicional careta brasileira, o que tira um pouco o brilho da apresentação. Nada que o carisma natural de Juliana, sempre sorridente em cima do palco, não compense.
Na sequência, quem se apresentou para o público mineiro foi o Soatá. Vinda de Brasília, a banda tem como ponto forte a performance da vocalista Ellen Oléria. Dona de um registro vocal cristalino e potente, a vocalista faz um bom contraponto à base pesada da banda, que tem um pé e meio no heavy metal. Mesmo com a forte presença de Ellen, no entanto, a mistura de peso e ritmos do norte e nordeste da banda não convence.
Fechando a noite, duas bandas vindas da Bahia. Primeiro o BaianaSystem, que recebeu no palco o cantor Lazzo Matumbi. Fortemente influenciada pelo reggae e a Jamaica, a banda se ampara principalmente no grave preciso do baixo de Marcelo Seco. Sem bateria, é ele quem marca o ritmo da banda, auxiliado pelas batidas dos samples do DJ Chico Corrêa e da percussão de Wilton Batata. Apesar das misturas sonoras da banda girarem mais em torno de ritmos mais lentos, teve espaço até para uma homenagem ao guitarrista paraibano Pio Lobatto, um dos mestres da guitarrada e lambada moderna.
Para terminar, também da Bahia veio um dos destaques do Carnaval de 2012, o cantor Magary Lord, responsável pelo sucesso Inventando Moda. Com o show avançando a madrugada - terminou pouco depois da 1h do domingo -, Magary recebeu como convidado especial o cantor e percussionista Peu Meurray, que subiu ao palco com um tambor dentro de um enorme pneu. Com seu ritmo intitulado "black semba", Magary vai um pouco além do axé tradicional baiano. Mesmo assim, o público se empolgou mais quando o cantor cantou outros sucessos do Carnaval baiano, como Circulou, da Banda Eva.
A segunda semana do Conexão Vivo acontece neste domingo (20), a partir das 15h, no Parque Municipal, no Centro de Belo Horizonte. A entrada é gratuita até as 18h. Após, o ingresso custa R$ 20 (R$ 10 a meia-entrada).
