"Estou carente", diz Ney Latorraca ao ser homenageado no Cine PE 

Por Marina Azaredo

Ney Latorraca recebeu a primeira Calunga da 16ª edição do Cine PE - Festival do Audiovisual, que acontece em Olinda (PE), na noite desta sexta-feira (27). Um dos três homenageados do festival - os outros são Fernando Meirelles e Cacá Diegues -, o ator pediu aplausos para o público ao subir no palco. "Estou muito carente e preciso de muitos aplausos", brincou.

Ele foi surpreendido pela presença de Rubens Ewald Filho, chamado especialmente para lhe entregar o prêmio."Vim de Buenos Aires e cheguei pela entrada de serviço. Nossa amizade tem mais de 50 anos e eu tive a sorte de conhecer não apenas o ator, mas também o ser humano Ney Latorraca", disse o crítico de cinema, que é amigo de Ney desde a época em que os dois moravam em Santos.

"Agradeço a todos os meus diretores: Ruy Guerra, Bruno Barreto, Ana Carolina e muitos outros, mas em especial a Paulo César Saraceni", disse o ator, lembrando o cineasta morto no dia 14 de abril. Ele afirmou ainda que tem 68 anos de idade e 48 de carreira. Um "jovem" foi ouvido da plateia. Bem humorado, Ney respondeu imediatamente: "cínico". O homenageado deixou o palco sob muitos flashes e fazendo um coração com as mãos.

Nesta sexta, o festival teve a exibição de três curta-metragens: o documentário pernambucano Zuleno, de Felipe Peres Calheiros, a ficção Isso não é o Fim, que é creditada como baiana embora se passe na Rua Augusta, em São Paulo, de João Gabriel, e a ficção paranaense Quadros, de Sara Bonfim.

O longa da noite foi Paraísos Artificiais, de Marcos Prado, que deve estrear no circuito comercial no dia 4 de maio. O filme conta a história de três jovens que se conhecem em um festival de música eletrônica em algum lugar do Nordeste e de como os seus destinos se cruzam depois disso. Nathalia Dill, Luca Bianchi e Lívia de Bueno estão no elenco.

Antes da exibição, a equipe do filme subiu ao palco e Prado fez questão de lembrar de uma parte importante do longa que foi filmada na Praia do Paiva, no litoral pernambucano, com 1,5 mil figurantes. "Quero saber quantos figurantes da cena da rave estão aqui", disse, para ouvir logo em seguida os gritos de uma quantidade considerável do público.

A Calunga

A "Calunga" representa a boneca carregada pela sacerdotisa dos cultos afro-brasileiros durante a apresentação do maracatu. Segundo os estudiosos, ela faz parte desse ritual e de cerimônias religiosas, em que representa um divindade expressando um objeto de força e proteção. Além dos vencedores das mostras competitivas, os homenageados do Cine PE recebem uma "Calunga de Ouro". O troféu é uma criação da artista plástica Juliana Notari.