Livro conta a história do chalé de Santos-Dumont e sua relação com Petrópolis

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O jornalista Francisco Luiz Noel e a historiadora Patrícia Souza Lima lançam o livro "Uma Casa Muito Encantada – A invenção arquitetônica de Santos-Dumont" que traz história da casa do aviador Santos-Dumont e sua relação com a cidade de Petrópolis. Apesar da vasta bibliografia sobre a vida do aviador, esta é a primeira vez que uma obra se volta para o famoso chalé. Além de reunir informações e imagens dispersas em biografias, jornais, correspondências e documentos de acervos do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, a obra passa a limpo mistificações cultivadas em torno da história da casa e do inventor e apresenta revelações sobre a construção e a trajetória do imóvel após a morte de seu morador.

O ponto de partida da pesquisa foram as cartas, documentos, recortes e fotografias conservados pelo Museu Casa de Santos-Dumont. Dos guardados da casa, os autores partiram para os arquivos históricos da Biblioteca Central Municipal Gabriela Mistral, Museu Imperial e Companhia Imobiliária de Petrópolis. Vasculharam também acervos da Biblioteca Nacional e outras instituições cariocas, do Museu Casa de Cabangu, em Santos Dumont (MG), terra natal do inventor, e do Museu Paulista da Universidade de São Paulo (USP).

“Procuramos reconstituir a memória da Encantada e trabalhar dados que estabelecem uma relação entre o aviador e a cidade, ao associar fragmentos da memória da cidade com a biografia de Santos-Dumont. Acreditamos que, nesse sentido, o livro preenche uma lacuna existente entre as muitas publicações escritas desde os anos 1930 sobre Santos-Dumont”, diz Patrícia Souza Lima. De fato, a Encantada é a personagem principal da obra, sem que esse protagonismo ofusque a importância histórica do antigo morador.

A parceria do jornalismo com a história não teve em mira produzir uma nova biografia de Alberto Santos-Dumont, destaca Francisco Luiz Noel. “Fizemos uma reportagem histórica, em que procuramos mostrar o significado afetivo da casa para seu proprietário e o que ela passou a representar para Petrópolis depois da morte do inventor”, assinala. A pesquisa, conta o jornalista, conduziu a uma surpreendente quantidade de informações sobre a Encantada e as temporadas do inventor na cidade.

Memórias e revelações        

A narrativa dos episódios que envolvem a Encantada começa nas passagens sobre a construção, idealizada pelo inventor e projetada em conjunto pelo engenheiro Eduardo Pederneiras e o arquiteto Armando Telles, nomes que se projetariam na engenharia e na arquitetura do país. O livro apresenta ainda o empreiteiro Francisco Gomes e seus operários, que tiravam do papel as obras que Pederneiras contratava na Petrópolis dos anos 1920.

Outro achado foi relatado aos autores por descendentes da governanta de Santos-Dumont, Eulália de Avellar Rezende: a ocupação temporária da casa pela família de um dos filhos da empregada, depois da morte do dono, em 1932, e o nascimento de um bebê em plena sala, transformada em quitinete pelo casal e a filharada. Inédita é também uma fotografia da Praça Dom Pedro, no coração de Petrópolis, feita pelo inventor em suas andanças pela cidade e conservada no Museu Paulista, no bairro paulistano do Ipiranga.

A seleção de material cobre um período que começa em 1914 – ano da segunda visita de Santos-Dumont a Petrópolis, que o acolheu como celebridade – e se estende ao presente. Na narrativa do processo de idealização e construção da Encantada, quatro anos depois do desembarque triunfal do inventor na cidade, os autores destacam detalhes que desnudam um pouco da personalidade criativa e obstinada do morador. Em seguida, recordam as façanhas do brasileiro voador e se detêm nos tempos em que ele passava temporadas na casa, até que o agravamento de seus problemas psíquicos e emocionais o levaram ao suicídio, em 1932.