HQs da versão adolescente Turma da Mônica e Luluzinha se consolidam
Pedro de Luna*, Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - Renovação é a palavra-chave para explicar o sucesso editorial de duas revistas em quadrinhos impressas em plena era digital. Originalmente, tanto a dentuça Mônica quanto a feminista Luluzinha já são senhoras. Mas ambas foram submetidas a um processo de rejuvenescimento, originando novos produtos. Em apenas um ano de vida, Luluzinha Teen chegou à marca de 80 mil exemplares por edição. Por sua vez, a Turma da Mônica Jovem se aproxima do segundo ano de circulação vendendo acima de 400 mil unidades. E que ninguém ouse falar em concorrência. O próprio Mauricio de Sousa prefere dizer que todos são participantes de mercado, e afirma que há espaço para todo mundo:
Cada lançamento gera mais leitores e isso é salutar para todos. Mais ainda para os leitores que podem escolher, criticar ou paparicar alimentando seu interesse.
O editor Daniel Stycer, da Ediouro, concorda que existem semelhanças, mas assinala as diferenças.
A Turma da Mônica Jovem é um ótimo produto, assim como quase tudo o que Mauricio de Souza faz salienta Stycer. Mas acredito que a TMJ se destina a um público um pouco mais jovem que Luluzinha Teen. Diferentemente da TMJ, que começou investindo bastante no universo fantástico, nossastemáticas sempre foram mais voltadas para o mundo real.
Tendência universal
Ambos os criadores mostram-se muito surpresos e satisfeitos com os resultados de seus lançamentos.
Confesso que superou até nossas expectativas. admite Mauricio. Isso só aumenta nossa responsabilidade com todos os antigos e novos leitores que abraçaram a ideia. Nestes dois anos sentimos que estamos no caminho certo, mas que não podemos nos acomodar no sucesso. É um público exigente e que sabe o que quer.
Stycer, por sua vez, frisa o posicionamento do novo produto:
Estamos bastante satisfeitos por termos conseguido consolidar a Luluzinha Teen em tão pouco tempo. Neste curto período, atingimos uma participação no mercado bastante significativa no segmento que atuamos, ocupando o segundo lugar.
Parecidas ou não, o fato é que tanto a revista produzida em São Paulo quanto a elaborada no Rio pegaram carona em temas e ídolos do momento. Quando o filme Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton, estreou nos cinemas brasileiros, rapidamente saiu uma versão em dois exemplares com a Turma da Mônica Jovem no papel dos protagonistas. Da mesma forma, Luluzinha teve uma edição chamada Depois do Crepúsculo.
Desde a primeira edição, em junho de 2009, quando tivemos a participação da roqueira Pitty, procuramos trazer para a revista elementos do cotidiano dos jovens explica Daniel Stycer. Isto faz com que a gente esteja ligado em temas do dia a dia deles e também de seus ídolos. O especial Crepúsculo teve relação direta com a invasão dos vampiros na literatura e no cinema. Nada impede que Lulu participe de outras sagas.
Aliás, aproximar-se dos leitores é cada vez uma prioridade. Eles estão no comando e participam dos roteiros utilizando os canais da internet, como o Twitter, o Orkut e o e-mail. Mauricio explica que algumas sugestões dos leitores já foram adotadas nas histórias:
Já mudei até nome de personagem. Quadrinhos é comunicação, e não se faz mais dentro de uma sala sobre uma prancheta. Hoje tem que ser interativo com o público para funcionar com agilidade.
Houve também uma grande transformação social. O adolescente de hoje é bem diferente de 50 anos atrás, não existe mais a distinção entre o Clube do Bolinha e o Clube da Luluzinha.
O que mudou, a nosso ver, é que até o início da adolescência, meninos e meninas hoje em dia têm muito mais facilidade de se relacionar do que tiveram outras gerações opina explica Daniel Stycer. As barreiras caíram. Meninas jogam futebol, trocam figurinhas, garotos não têm vergonha de mostrar que são vaidosos.
Pedro de Luna é editor do JBlog Quadrinhos (www.jblog.com.br/ quadrinhos.php)
*Especial para o Jornal do Brasil
